<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761352921707307904</id><updated>2012-02-16T04:00:32.451-08:00</updated><title type='text'>O mico que queria ser ingênuo</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Bugre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15497524348212087363</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>25</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761352921707307904.post-8694261865680588874</id><published>2008-10-15T16:00:00.000-07:00</published><updated>2008-10-15T16:10:27.512-07:00</updated><title type='text'>Adeus a todos (por enquanto)</title><content type='html'>Estou encerrando este blog. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta carta serve para me despedir de meus poucos e compreensivos leitores. Não porque queira deixar de escrever, ou mesmo de manter um blog. Pelo contrário. Quero continuar produzindo mais e com afinco agora. Só que melhor.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Mico-que-queria-ser-ingênuo acabou sendo um momento de transição em que as coisas estavam um pouco sem foco para mim, e, conseqüentemente para o blog em si. Tem muito impulso cru aqui, poesia, crítica política, variedades, comentários sobre teorias científicas que volta e meia aparecem mal-explicadas e mal-feitas em muitos veículos de divulgação – até mesmo crítica esportiva; enfim, muita generalidade, muita vontade, mas também amadorismo, pouco foco, pouca sistematização. Estou chegando a uma fase de minha vida a partir da qual quero fazer somente as coisas que puder fazer bem-feitas. E o Mico não está nem de longe bem-feito – escrevo muito esparsamente, apesar de isto em si não ser o maior defeito da coisa; além de ritmo, falta método, coesão, estilo. O leitor não tem a menor idéia do que vai encontrar ali a próxima vez que acessar a página. Concordo que surpresas são boas, mas o jogo entre a surpresa e a expectativa do leitor precisa acontecer dentro de certas regras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Quando comecei o blog, era professor ainda. Um dos primeiros textos que escrevi tem a ver com racismo, rebatendo a ideologia que via impregnada nas redações de muitos alunos meus quando discutíamos as políticas afirmativas, discussão que sentia ainda muito superficial no material que tinha de coletar na internet e em outros meios. Queria talvez compensar a superficialidade que enxergava nos textos a respeito da questão. &lt;br /&gt;Mas também houve outro motivo que me levou a escrever aquele texto, motivo que hoje vejo preponderante: a provocação involuntária de alguns dos estudantes que diziam a nós, professores, que nossa função se resumia apenas em criticar o trabalho deles, evidentemente frágil, mas não compúnhamos nossas próprias idéias, ainda que fosse como modelo. Faltavam exemplos para eles do que seria uma dissertação. Claro, eu poderia responder procurando fóruns e blogs nos quais houvesse mais seriedade a respeito do assunto e suprir-lhes o modelo necessário; só que havia um componente da reclamação que não era apenas o “Por favor, me dê algo por meio da qual possa me guiar”. Quando ensina a nadar, o professor de natação entra na água efetivamente; quando um ator passa seu conhecimento para a turma, perfaz ele mesmo os exercícios junto com todo mundo, atraindo admiração; o estudante se expõe ao nos entregar a redação. Por que não podemos dar o exemplo e nos expor. Na época, preferi aceitar o desafio – julgava estranho alguém incitar os outros a escrever e ele próprio abrir mão de fazê-lo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao escrever, no entanto, acabei descobrindo uma lacuna imensa: hoje, a tarefa de compor um ponto de vista e acreditar no que dizemos é das mais difíceis. Para aceitar as coisas como estão, ou se é ingênuo, ou hipócrita. Ingênuo eu tentei ser; para hipócrita não levo jeito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque digo acreditar mesmo, de coração, e pra valer, e durante um bom tempo. Disso, mesmo no texto sobre racismo que compus, tenho minhas dúvidas - já sinto diversas fraquezas argumentativas. Muito do que coloquei lá, hoje questiono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe aquelas bobagens que todo mundo fala sem se dar conta?: “Se o governo investisse em educação, a violência diminuiria”; “O rombo na previdência é uma conseqüência do aumento da população idosa, e o Brasil vai enfrentar esse problema depois de alguns anos”; “O controle de natalidade resolve o problema dos pobres”. Será? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente percebe que essas bobagens estão profusas por todos os cantos. As causas disso têm a ver com a sociedade especializada em que vivemos. Certas pessoas estão autorizadas a dar veredictos a respeito de certos assuntos, e desse fato natural, aceito sem questionamento, generalizamos a coisa e deixamos de nos opor a idéias que, se examinarmos a fundo, são estapafúrdias. &lt;br /&gt;Por agora, vou deixar de lado essa questão, senão perco o fio da meada. Mais adiante eu a trabalharei num projeto mais focado. Por ora, importa a descoberta empírica que tive: as coisas, como estão colocadas para a gente, fabricam estupidez. Curtis White, Noam Chomsky, dentre outros dos críticos mais lúcidos já tinham alertado. A incomunicabilidade gerada pelos intermediários produz estupidez.     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o passar do tempo, enxerguei problemas em tomar partido nas questões de acordo com as grandes correntes, tanto num e quanto noutro sentido, em quase qualquer assunto. Exemplo: a própria teoria darwiniana de análise da psique humana, que num certo sentido eu tanto questionei. É uma teoria importantíssima, e que ainda não entrou na corrente sangüínea do pensamento brasileiro, ficando restrita a círculos acadêmicos. A teoria coloca em xeque certos dogmas das ciências sociais bem questionáveis se pensarmos bem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que se nota um fosso de comunicação que distorce a coisa toda antes que ela chegue a nós. As mídias de massa deveriam pertencer a diversas tendências e absorver a teoria de diversas formas, de modo a possibilitar às pessoas um leque para a formação de opinião de maneira satisfatória quanto os assuntos mais específicos. A cadeia funcionaria perfeitamente, sem problemas. Os jornais ou revistas colocariam as conclusões de uma maneira simplificada, cada qual de acordo com sua ótica, e a diversidade natural dos canais se encarregaria de criar um número interessante de caminhos até o conhecimento especializado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, o dinheiro compra os canais mais fáceis e acessíveis a todos e impõe sua lógica de divulgar as coisas de acordo com a conveniência. A direita amplifica certos aspectos da teoria e ofusca outros. E o que deveria ser a resistência intelectual bruxuleia num limbo que vai do hermetismo à negação. O cara de esquerda tem pavor da coisa, não ousa tocá-la – afinal, seu pensamento é marxista e ele não se dignará a sequer folhear uma teoria desprezível que procura reduzir os seres humanos a um “punhado de cálculos determinados geneticamente”. Não, dizem eles, somos “mais do que isso” – mas falta definir o quê e provar. Vendo a omissão da esquerda, que deveria ao menos ler e propor argumentos legítimos para refutar a coisa, e fica, em vez disso, apenas trancados nos seus castelos de marfim de teorias clássicas, sem renovar o pensamento, a direita se aproveita da situação e seleciona apenas o que lhe interessa para divulgar. Então, o contato que temos é com uma coisa medonha e ruim, invocada na grande imprensa para justificar qualquer tipo de preconceito ou relação social. E eu, um leigo, não consigo encontrar quem tente entendê-la em sua riqueza a sério, ou comentá-la. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E uma teoria que deveria suscitar discussões pra valer, renovação do debate clássico entre Platão e Aristóteles – o conhecimento que temos é fruto de leis abstratas anteriores ao nosso nascimento, no caso genéticas, ou fruto da experiência? Até bem pouco tempo atrás, todos os problemas tinham raízes na análise psicológica ou social: uma variação da proposição romântica do mito do bom selvagem. Críamos em Aristóteles – isto é, que o homem basicamente aprende imitando e que se mudássemos os parâmetros sociais, as pessoas mudariam. Mas em que medida isso realmente é verdadeiro? Um professor meu de literatura brincava dizendo que o grande problema estava nas mães; se todos fôssemos filhos de chocadeira, os problemas do mundo estariam resolvidos. Acho que a ironia passou despercebida pela maioria – ninguém quer pensar que talvez exista algo errado no seu arcabouço teórico favorito. Assim, uma coisa que renova nossa maneira de enxergar os seres humanos passa despercebida, ignorada, completamente deturpada de um lado por revistas feitas para a massa de leitores pouco instruídos, ou ignorada por quem poderia entrar no debate em condições. De um lado, omissão; de outro, oportunismo. Como sempre acontece nas colônias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um tempo de homens partidos esse em que estamos mesmo – as ideologias e descobertas valem mais como uma bandeira de time de futebol para escolhermos lados e gritarmos “Sou, sou de esquerda eu sou! Vou dar porrada eu vou! E ninguém vai me segurar, nem Ditadura!” , enquanto do outro lado,  outros secundam “Sou de Direita, com muito orgulho, com muito amoooor”.&lt;br /&gt;Enfim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei realmente buscando provar para um aluno que se pode fazer um debate. Sim, se pode, mas está cada dia mais difícil. Mesmo as fontes “melhores” estão cada dia mais questionáveis. &lt;br /&gt;Houve reviravoltas na minha vida pessoal durante todo esse tempo de quase dois anos, passei de professor a funcionário público, com vários estágios intermediários, candidato a mestrando,  viajante, vendedor de artigos para turistas, atendente de telemarketing. Algumas dessas vicissitudes estão espelhadas em ensaios atípicos, como o da noite portenha. Mas posso dizer com orgulho que elas não foram determinantes no resultado dos textos. &lt;br /&gt;Porque o trabalho foi fundamentalmente sobre a comunicação entre pessoas diferentes, verdadeiramente diferentes. Hoje enxergo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tema aparece em poemas como “Municação” e “Anarquia”, na série buscando colocar em pauta uma teoria para entender o ser humano que encontrou pouca consideração por parte da intelectualidade séria brasileira (mas, por favor, se virem um debate assim, mandem-me: adoraria estar errado); na análise de comportamento de pessoas com moral bisonha, ainda que representativa; na análise do Jardineiro Fiel – um filme realmente sublime na minha opinião, melhor feito em termos de cinema que Ensaio sobre a cegueira, apesar da minha queda por qualquer coisa do Saramago que me caia nas mãos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse meio tempo, li outro livro que me incendiou um pouco a mesma questão, O senhor das moscas, de William Golding. E a questão é: Podem duas pessoas diferentes se entender?, sem que elas passem a usar as idéias para conseguir vantagens, ou para exercer arbitrariedade umas sobre as outras?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Mico... talvez fosse o meu esforço de tentar ser ingênuo no melhor sentido da palavra, de acreditar nas ideologias e defendê-las tal qual um adolescente ou um militante que nunca tinha sido, um trabalho, na verdade  muito mais de autodescoberta que qualquer outra coisa. Espaço de experimentação enquanto, sem perceber, amadurecia em direção à vida adulta, aquela a partir da qual começamos a ganhar consciência de nossa busca, de nosso destino. Hoje estou muito mais perto de descobrir o objeto que determinará minha trajetória como ser humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso mesmo, vejo que é hora de terminar. Eu não quero mais ser ingênuo, nem no melhor sentido da palavra – eu sou, negando. Acredito no que não se vê com os sentidos com mais força do que nunca porque provei a força paradoxal dessa “não-existência”. Hoje enxergo claramente que os discursos têm uma consistência maior que uma fábrica. E que as pessoas vivem apenas uma vida, em vez de muitas como antigamente, geralmente fechadas em si mesmas, em nichos. E esse é o inimigo que quero combater, a nichificação, a divisão do mundo em castas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro de Huxley, em Brave New World: &lt;br /&gt;"... all wear green," said a soft but very distinct voice, beginning in the middle of a&lt;br /&gt;sentence, "and Delta Children wear khaki. Oh no, I don't want to play with Delta&lt;br /&gt;children. And Epsilons are still worse. They're too stupid to be able to read or write.&lt;br /&gt;Besides they wear black, which is such a beastly colour. I'm so glad I'm a Beta."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em comum permeando as castas de hoje, apenas o fato de que nos vemos divididos entre hedonistas e sentimentais, no mundo inteiro, seja na Nova Iorque de Sex and the City, na América Latina que ouve os ritmos caribenhos eróticos, nas favelas onde circulam as tchutchucas, muitas vezes evangélicas, opondo-se às cachorras do funk carioca. O drama humano que ganha espaço na mídia é aquele que acontece quando alguém que quer ser cachorra age como uma tchutchuca, ou vice-versa, homem ou mulher. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí me vem a pergunta: É só isso mesmo? É realmente essa a grande questão? Tchutchuca ou cachorra? Samantha Jones versus Charlotte York? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que ninguém se incomoda com o fato de que todos criticam a “sacanagem no cinema nacional”, mas adoram Sex and the City? Ou a mesma “vulgaridade” que tanto atacam no funk está presente nas músicas black que a mesma elite ouve sem o menor problema? Sim, eu talvez esteja errado, talvez não seja deste mundo.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em vários lugares por onde andei a estrutura sempre a mesma: ou você faz parte da minha turma, ou não; ou você está dentro, ou está fora. “Na minha turma, as pessoas se vestem de um jeito cool, usam palavreado assim, ouvem música assado, fazem um mestradinho e não namoram”; “Na minha, por outro lado, damos muito valor à monogamia, aos carros, e só os casados entram, mas traímos sistematicamente nossas esposas que não amamos e que “penetramos como quem enfia o dedo no nariz””; “Na minha, ter cultura é fundamental – você já viu a última montagem de Bizet?”; “Na minha, somos todos gays esclarecidos, sendo a heterossexualidade a última doença a ser curada”. Eu realmente gostaria de imaginar o que une um grupo ao outro, e talvez seja somente a exclusão que um promove dos elementos exógenos. O sistema sempre o mesmo, se você é da minha turma, seja nacionalidade, crença artística, nível social, comportamento sexual, eu te escuto – não porque te entenda particularmente, mas para comprar sua atenção como um novo participante do meu grupo, um comércio de comportamentos sociais; mas se você não é da minha turma, com licença, tenho mais o que fazer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual é o problema com os nichos?, me perguntam, “as pessoas precisam se afirmar – assim é a vida”. Ok, penso, mas será que essas pessoas não percebem que justamente a política de “cada um no seu quadrado” é que constitui a tática de dominação por excelência hoje? Que permite que os responsáveis pelas torturas durante o regime militar continuem impunes? Que deixa as minorias no mundo à mercê de fatores aleatórios? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou dar exemplos, para que isso não pareça discursinho - estou falando do aqui agora, não de coisas que "podem acontecer".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há haitianos que não conseguem comprar comida por causa de flutuações quase no mercado de petróleo, e que por isso são obrigados a comer bolacha de terra. A coisa aparece para a gente como se se tratasse de um tornado, algo natural, fora do nosso alcance resolver. Tudo o que temos a fazer é enviar ajuda às vítimas da catástrofe.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milhões (talvez bilhões) de pessoas são obrigadas a viver uma vida miserável do lado pobre das fronteiras, isso porque o dinheiro circula livremente entre os países, mas as pessoas não. O mundo é do dinheiro, não das pessoas. O dinheiro elege candidatos, o dinheiro efetivamente faz cumprir ou não a lei, e faz as coisas acontecerem. Isso também é “natural”. O dinheiro dos países que têm dinheiro destrói as condições de vida nos países menos favorecidos – porque entra e sai à vontade – mas no momento de pagar o preço por essa destruição, isto é, receber os imigrantes que fogem do caos gerado em suas terras, fecha as portas. Mas isso também é “natural”.  &lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não tenho soluções. Apenas vejo – ou melhor, faço questão de querer ver – os problemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque acredito que todos têm capacidade de ver os problemas, sou contra a idéia de que alguém precise ter erudição, ou um monte de conhecimentos específicos para ter o direito a ter opinião. Ou que o povo “precise de instrução”. Claro, existem opiniões melhor defendidas que outras, mas a percepção e intuição dos fenômenos, essas existem antes de nascermos, são frutos de um conhecimento que vem nos genes. Idiota ninguém é. Todos os seres humanos, dizem os cientistas mais entendidos, têm órgão(s) mental(is) para lidar com os aspectos da vida social: sabemos de berço o que é trapaça. Os grandes escritores nunca ignoraram esse detalhe, por mais marxistas que fossem suas opiniões. Em Vidas Secas, Fabiano no fundo sabe que está sendo trapaceado por seu patrão, ainda que careça de meios para provar. E o trabalhador que porventura não lembre mais disso, não é porque deixou de aprender alguma lição na escola: mas sim porque a vida, a pontapés, fê-lo esquecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Acho que um conhecimento normalmente veiculado pela direita foi usado para embasar uma tese de esquerda. Sim, há esperança!)      &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer modo, são apenas alguns elementos que trabalhei ao longo deste um ano e meio, de modo amador e fragmentário aqui. Peço perdão e agradeço a paciência dos meus (poucos) leitores, encerrando essa experiência com o entusiasmo de quem planeja coisas melhores para antes do fim do ano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um grande abraço a todos!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761352921707307904-8694261865680588874?l=omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/feeds/8694261865680588874/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761352921707307904&amp;postID=8694261865680588874' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/8694261865680588874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/8694261865680588874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/2008/10/adeus-todos-por-enquanto.html' title='Adeus a todos (por enquanto)'/><author><name>Bugre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15497524348212087363</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761352921707307904.post-1319648588487004464</id><published>2008-07-14T08:54:00.000-07:00</published><updated>2008-07-14T14:16:49.049-07:00</updated><title type='text'>Desculpas? Para uma prostituta?</title><content type='html'>Meia do Flamengo pede desculpas para prostituta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt; O meio-campo Marcinho, do Flamengo, que foi acusado de agressão por uma garota de programa durante uma festa no sitio do goleiro Bruno, em Ribeirão das Neves (MG), companheiro dele de clube, ligou para a vítima e pediu desculpas a ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcinho e um homem que se identificou como empresário do jogador ligaram para mulher quando ela registrava queixa na Delegacia de Proteção à Mulher, em Belo Horizonte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A agressão teria acontecido depois que o atleta teria tentado fazer sexo sem camisinha com uma das garotas que participavam da festa no sítio que fica em Ribeirão das Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher alega que foi espancada depois que se negou a transar com Marcinho sem o preservativo. Três garotas de programa compareceram à delegacia e registraram queixa contra o jogador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em entrevista à Rede Record, as vítimas afirmaram que Marcinho estava bêbado no momento das agressões. E que os outros jogadores do Flamengo também haviam bebido. No momento da gravação, um homem que disse ser o jogador pediu desculpas várias vezes pela agressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcinho se disse arrependido e afirma que sua imagem seria muito prejudicada caso elas registrassem a queixa e o caso se tornasse público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu não tava ciente, eu tava bêbado. Eu tô pedindo desculpa. Do fundo do meu coração, estou pedindo desculpas. Eu estou arrependido do que eu fiz. Eu quero conversar com você pessoalmente e isso vai me prejudicar demais, você sabe disso", disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI3001714-EI5030,00.html&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Não há como duvidar da sinceridade do atleta em dizer que estava bêbado; afinal, para querer transar com uma garota de programa sem preservativo, no mínimo ele precisava estar fora do seu estado normal. De que o restante dos meninos também não se encontravam exatamente sãos, ninguém duvida. O que me intriga é o argumento de defesa. “Estava bêbado”. Com certeza, tivesse saído com um travesti, esse não seria o argumento. Porque todos sabem o que os antigos já sabiam, a bebedeira não é desculpa para cometer qualquer asneira. Algumas valem, outras não. In vino, veritas, diz o provérbio latino: “no vinho está a verdade”.  Ou seja, quando bebe, o sujeito acaba trazendo à tona um eu mais real que o eu que mostra no dia a dia. E, sendo assim, existem pelo menos dois tipos de bobagens que podemos cometer: 1) aquelas para as quais nem a bebedeira vale de desculpa; e 2) os pecados menores, que todos compreendem desde que o sujeito esteja fora de si.  &lt;br /&gt; Quando um jogador de futebol diz que espancou uma prostituta, alega embriaguez com uma naturalidade incrível, enquanto que, ao dar o calote em um travesti, nem sonha em usar o mesmo argumento.&lt;br /&gt; Vamos tentar entender o raciocínio da defesa que o atleta do Flamengo usa. Ao alegar que “estava bêbado”, ele quer dar a entender algo como “Olha, tenho certos impulsos que não são exatamente corretos, mas que durante o dia a dia eu faço o possível para controlar. Nessa ocasião em especial, me excedi, mas é que estava fora do meu estado normal. Por uma coisinha à toa assim, o direito que uma prostituta tem de não apanhar, não vamos estragar a minha imagem.”  &lt;br /&gt; Dentro de nossa cultura, alguns desejos são considerados bacanas, válidos, lícitos. Outros, desejos que até podemos ter, mas que devemos controlar em público. Por fim, há um terceiro grupo, os abomináveis. Comer carne em público, para nós, ocidentais, normalmente é considerado lícito; não preciso negociar com ninguém, basta chegar ao restaurante, fazer um pedido e aguardar. Se o prato não vem, há inclusive o direito a reclamação. Mas claro, existem limites para essa degustação. Não se pode colocar o bife no piso e comer com a boca imitando um cachorro enquanto se lambreca as bochechas rosnando, pois isso constrange os outros clientes. Este desejo seria classificado como um passível de controle. Não chega a ser abominável porque, uma pessoa alterada por doses de cachaça, brincando de comer no chão durante uma festa, imitando um cachorrinho, provavelmente provocaria risadas, além de algum nojo, mas nada além disso. No entanto, torturar um frango que será abatido já descamba para os desejos considerados ilícitos. A maioria das pessoas, não acharia muito correto, e nem a embriaguez justificaria. &lt;br /&gt; Claro que, em alguns lugares as pessoas até gostam de ver os touros sofrendo – como na Espanha. Em outros, como em partes da Índia ,não se pode comer carne de jeito nenhum. Isso depende das culturas. &lt;br /&gt; Mas culturas à parte, em nossa discussão, o fato é que ter sexo com travesti está claramente na categoria abominável. O jogador de futebol não pode dizer que o praticou “só” porque estava mal; como já dissemos, a bebida revela um eu mais verdadeiro do jogador, e não é bem isso que se espera dele. Por outro lado, que curioso, no caso do atleta do Flamengo ficamos em dúvida: ter sexo com uma prostituta cai em qual categoria? É lícito? Deve ser ocultado? Ou se trata de algo abominável? E, pensando no lado da prostituta, a profissão em si é lícita, deve ser escondida, ou asquerosa? O fato de privá-las do direito à saúde é lícito? E espancá-las?&lt;br /&gt; O atacante dá a entender com seu argumento para justificar as desculpas à moça que a) apesar de contrariar a lei, fazer sexo com prostitutas é lícito, afinal, ele sequer pediu desculpas por isso; b) não usar preservativos também é lícito nesses casos (agradecemos desde já a lição de prevenção à AIDS para os adolescentes, Marcinho); o problema todo é c) espancar prostitutas, isso sim é falta leve: basta alegar embriaguez e ponto: me safo da coisa toda. &lt;br /&gt; Curiosíssimas revelações. 1) já ficou claro, o travesti tem uma espécie de lepra social. O simples fato de alguém estar em contato com ele já desmoraliza completamente o sujeito, trata-se de uma falta abominável a priori. Por um lado é bom, porque creio que nenhuma pessoa famosa possa cogitar em bater num deles. 2) a prostituta está abaixo da categoria “gente”, apesar de não ser portadora da mesma praga que o travesti; 3) se ser um jogador de futebol é ou foi o sonho de quase todo homem brasileiro, e se os jogadores de futebol amam muito tudo isso, bom, tenho até medo de completar o raciocínio. &lt;br /&gt; Voltando ao caso do Marcinho, para quem fazer sexo com prostitutas é considerado bacana, inclusive fazer sexo sem o preservativo. Agora, o jogador tratar a mulher do mesmo modo que uma égua e se sentir no direito de castigá-la caso a cavalgada esteja em desacordo com as expectativas, isso é falta leve que a bebedeira justifica. A título de comparação, se dou um murro no garçom porque ele não me deixou comer o bife no chão como um cachorrinho, vou preso na hora, ainda que esteja bêbado, ou drogado.  E todos vão achar muito justo que meus atos deponham contra mim, ainda que haja atenuantes. Dificilmente vou escapar de uma multa, pelo menos. Com a égua acontece o mesmo. Mas a prostituta não deve estar no mesmo nível.   &lt;br /&gt; Vamos tentar entender a situação da profissional do sexo, porque está difícil lidar com a classificação da falta do Marcinho. O paizão normalmente leva todo orgulhoso o filho para a estréia em um prostíbulo. Mesmo aquelas senhoras mais conservadoras que o reprovam, desde o tempo de Fraülein vão considerá-lo no máximo “travesso”. Porém a profissão (tão antiga e tradicional) ainda carece de registro. É crime ou contravenção, por acaso? Na prática, ficamos sem resposta. Legalizado não é, mas a senhorita do ramo também não pode ser presa ou pagar multa por suas ações. O cafetão sim, este que em muitos casos proporciona a mínima segurança e infra-estrutura às moças, este deve ser preso. Porque, apesar de bacana, prostituição é crime. &lt;br /&gt; Como sempre acontece com as minorias, colocam a prostituta na terra de ninguém. A lei protege, a prática alopra. Ela passa a depender da opinião pública, como já vimos, dividida a grosso modo em três faixas: os que dão risada e tratam tudo como parte do eterno arranca-rabo do povão; os que se calam e os que acham bem-feito que ela tenha apanhado. &lt;br /&gt; E o que diz a reportagem, já que é o principal veículo de opinião pública, única proteção da moça? A matéria vê tudo como uma curiosidade, algo para fazer rir. Pouco opina - apenas dá os fatos. O título apenas destaca o que existe de mais espetacular e impressionante em tudo isso e que vai chamar a atenção das pessoas: o jogador pede desculpas à prostituta. De fato, pior que isso, nem dar bom dia a cavalo. Francamente Marcinho... Rebaixar-se desse modo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761352921707307904-1319648588487004464?l=omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/feeds/1319648588487004464/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761352921707307904&amp;postID=1319648588487004464' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/1319648588487004464'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/1319648588487004464'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/2008/07/desculpas-para-uma-prostituta.html' title='Desculpas? Para uma prostituta?'/><author><name>Bugre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15497524348212087363</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761352921707307904.post-3044576107211371295</id><published>2008-06-06T12:02:00.000-07:00</published><updated>2008-06-06T12:06:23.541-07:00</updated><title type='text'>A melhor equipe da Libertadores?</title><content type='html'>   	&lt;meta equiv="CONTENT-TYPE" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;title&gt;&lt;/title&gt;&lt;meta name="GENERATOR" content="OpenOffice.org 2.4  (Linux)"&gt; 	 	 	&lt;style type="text/css"&gt; 	&lt;!-- 		@page { size: 21cm 29.7cm; margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } 	--&gt; 	&lt;/style&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Num rasgo de humildade característico, o Olé mostra, através do comentarista Enrique Hrabina como se recebem as derrotas na Argentina.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Notícia original:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;http://www.ole.clarin.com/notas/2008/06/06/futbollocal/01687956.html&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; font-style: italic;"&gt;É uma lástima que o Boca tenha ficado de fora, mas todos devem estar com a certeza de que foram a melhor equipe da Copa, a que teve mais personalidade, mais caráter, a que mostrou o jogo mais claro. Todos sabem como joga, e, mesmo assim, nunca o puderam controlar. Por isso digo que foi uma desgraça. Porque jogasse onde jogasse demonstrou ser muito superior a seus rivais.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; font-style: italic;"&gt;Porém nessas partidas os erros se pagam caro. Por isso, a grande quantidade de situaçoes claras de gol que não puderam converter pode ser uma explicação de porque ficaram de fora. As lesoes  também, mas todas as equipes têm esses contratempos. Além disso, teve a desvantagem de não poder fazer sua partida local em La Bombonera, onde faz pesar sua superioridade. Apesar de tudo, demonstrou que não houve outra equipe melhor.  &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; font-style: italic;"&gt;De todos os modos, o balanço é positivo. Fez-se todo o necessário para chegar, mas o futebol é assim. Às vezes não ganha quem joga melhor. Não existe equipe perfeita.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;É isso mesmo que vocês viram, nenhuma linha falando de algum possível mérito do Fluminense (que provavelmente caiu de pára-quedas aí, mesmo goleando o San Lorenzo por 6 a 0 na primeira fase).&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761352921707307904-3044576107211371295?l=omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/feeds/3044576107211371295/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761352921707307904&amp;postID=3044576107211371295' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/3044576107211371295'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/3044576107211371295'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/2008/06/melhor-equipe-da-libertadores.html' title='A melhor equipe da Libertadores?'/><author><name>Bugre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15497524348212087363</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761352921707307904.post-5692879578632454429</id><published>2008-05-26T19:19:00.000-07:00</published><updated>2008-05-26T19:23:58.453-07:00</updated><title type='text'>Anarquia</title><content type='html'>Um dia não leremos.&lt;br /&gt;O pajé sentar-se-á conosco em roda solene,&lt;br /&gt;E todos estaremos atentos e reverentes às suas palavras mágicas&lt;br /&gt;Que nos encherão de sentido como a água um vaso seco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia não nos obrigarão a ficar acordados&lt;br /&gt;Belas índias guardarão de flores fantásticas os segredos de nova jurema,&lt;br /&gt;E todos sentirão seu sopro de paraíso&lt;br /&gt;Que nos arrastará num refluxo de águas ancestrais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia não estaremos sozinhos.&lt;br /&gt;Cada outro fará realmente parte da tribo e de nós mesmos.&lt;br /&gt;Não mais nos será tormentoso o silêncio&lt;br /&gt;Que se derramará como brisa dentro de nós, espargindo paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fechada a última escola,&lt;br /&gt;Cessada a pulsação estéril das cidades,&lt;br /&gt;puros novamente, vento e água...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia guiaremos metade do destino.&lt;br /&gt;Nossos caciques dormirão ao nosso lado, tranqüilos,&lt;br /&gt;E todos estaremos certos de que sua presença nos fará bem,&lt;br /&gt;Porque não os invejaremos: antes, gratos lhes seremos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia dividiremos.&lt;br /&gt;Sentados, à sombra de árvores generosas, todos repartiremos&lt;br /&gt;Frutos, carinhos, pensamentos, com quem quiser ouvir, comer, amar.&lt;br /&gt;Porque para sempre esqueceremos que algum dia alguém disse “isto é meu”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia guerrearemos em paz.&lt;br /&gt;Solenemente, jogando torneios pacíficos em capueras, ruidosos,&lt;br /&gt;E os jogadores receberão como agulhas no peito, espicaçando-os&lt;br /&gt;Os olhares de jovens em fogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia amaremos.&lt;br /&gt;Homens e mulheres, nus, alacres, beijar-se-ão em mistura colorida.&lt;br /&gt;O sangue errará em muitas veias, indistinto,&lt;br /&gt;Porque crianças verão tudo sem medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brutos como flores,&lt;br /&gt;Coloridos como pedras,&lt;br /&gt;cheirosos como vento,&lt;br /&gt;na justa medida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, enfim, voltaremos para a densa mata,&lt;br /&gt;E suas flores de prata nos dirão cânticos que repetiremos aos rios.&lt;br /&gt;E todos seremos cantores, e todos seremos serenos,&lt;br /&gt;Porque não mais teremos medo de amanhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, nessa mata, voltaremos para o solo&lt;br /&gt;Sem o pavor dos vermes; antes, com a alegria de sementes,&lt;br /&gt;Todos nos entregaremos sem rancor à terra, despendido-nos tranqüilos dos que forem ou ficarem&lt;br /&gt;Porque estaremos certos: nossa uma vida terá bastado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761352921707307904-5692879578632454429?l=omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/feeds/5692879578632454429/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761352921707307904&amp;postID=5692879578632454429' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/5692879578632454429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/5692879578632454429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/2008/05/anarquia.html' title='Anarquia'/><author><name>Bugre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15497524348212087363</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761352921707307904.post-4648903155085500104</id><published>2008-04-07T15:20:00.000-07:00</published><updated>2008-04-07T15:39:31.597-07:00</updated><title type='text'>Sobre o silêncio</title><content type='html'>&lt;em&gt;Em resposta a um artigo de &lt;a href="http://temotemposuaordemjasabida.blogspot.com/" target="_blank" rel="nofollow"&gt;http://temotemposuaordemjasabida.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde estão os contadores de estórias? “Desapareceram”, ouço alguém dizer, no fundo da sala; “estão para antes dos anos trinta” completa outra voz. Rio. E digo:&lt;br /&gt;“Não, quem dera tivessem desaparecido os contadores de estórias durante a década de trinta. Talvez os bons tenham desaparecido, os contadores sólidos, de carne e osso. Mas creio que a realidade seja bem pior.&lt;br /&gt;“Vou contar uma estória”, continuo, “a estória do contador fantasma diáfano-de-símbolos-dispersos-e-coesos. Há algum tempo, em algum lugar, os contadores de estórias humanos começaram a ser substituídos. A gente pensa que eles desapareceram, mas na verdade eles foram substituídos.&lt;br /&gt;“A gente sempre baseia nossa visão de mundo nas estórias que nos contam, como vocês sabem. Por mais que tentemos ser racionais, por mais que estejamos num mundo científico, ainda que o jornalismo seja objetivo, que as imagens da televisão “não deixem margem para dúvidas”, e que os especialistas despejem seus números como um tapete que sai da tela e invade a mesa do jantar enquanto os meninos dormem em cima da sopa de letrinhas quente em cima da mesa (o irmão mais velho lê uma revista em quadrinhos), por mais que tudo pareça tão “natural”, a maneira com que vamos julgar aquele menino da favela segurando uma AR-15, ou o palestino atirando uma pedra contra um tanque israelense, ou ainda o mais novo descobrimento da ciência, que diz que um gene é responsável pela capacidade de julgamento, tudo isso é fruto das histórias que nos contam, sejam histórias de patriotismo, histórias de guerra ao terror, de guerra contra o tráfico, de guerra contra a corrupção.&lt;br /&gt;“Essas estórias obviamente não são contadas da maneira tradicional, a antiga, em que um velho senhor se sentava numa pedra sob as sombras generosas de uma árvore e começava um relato articulado que trazia consigo o silêncio. Não são estórias sólidas e calmas essas, que nos tragam sabedoria, definitivamente não são. Elas são filhas do ruído, da confusão, do caos. São estórias que vêm em estado líquido ou gasoso, ou em forma de ultra-som, mas sempre sem autoria, por todos os lados, cada qual como um pequeno fragmento explosivo incrustar algo em nossa mente. Na sugestão da sintaxe dos jornais, no anúncio de chicletes, na roupa da atriz, no enredo do filme, as necessidades de alguma coisa oculta imprime sua marca, e movimenta esse estranho contador – fantasma diáfano de símbolos dispersos e coesos.&lt;br /&gt;“E quais estórias nos vêm contando esse contador fantasma-diáfano-de-símbolos-dispersos-e-coesos? São estórias que drenam por um ralo e atiram no esgoto do ridículo toda a sabedoria que uma pessoa possa ganhar ao longo de sua vida. São estórias que dispensam palavras – quase dispensam ouvintes. O herói dessas fábulas é na maioria das vezes um jovem belo que tem uma varinha mágica dada pelo seu amigo mago. Essa varinha, feita de dinheiro puro, dinheiro vaporizado em roupas, gestos, prestígio, palavras, faz com ele deixe o mundo em torno de si colorido. A princesa se atrai naturalmente pela sua aura monetária, e é seqüestrada por algum velho e feio e pobre que quase dispensa outros adjetivos. Um homem de estórias covarde, invariavelmente covarde, ameaça estragar tudo com seu blá-blá-blá tartamudeador – que é a maneira com que se designa a sabedoria antiga– , mas uma deusa inspiradora sopra no ouvido do herói de que são feitas suas velhas lamúrias, e com uma mágica, este lança traças que derretem a língua do poltrão, que cai desfeita em tinta no piso – todos riem de suas boas intenções, e no final, ele pode acabar até lutando ou morrendo uma boa morte.&lt;br /&gt;“O script se repete tanto que mesmo em face do maior encanto, dele se encanta mais o nosso pensamento. Por fim se infiltra na realidade, vira “natureza”. E até hoje, nossos dias mesmo, em todos os meios onde entra o dinheiro, entra o contador-fantasma-diáfano-de-símbolos-dispersos-e-coesos.” Sorrio porque consegui conjurar silêncio. Por um instante, o ruído ficou de fora, espreitando as janelas.&lt;br /&gt;As pessoas pararam e escutaram. “Até amanhã, gente”, aceno da porta, “tragam perguntas”, e saio, antes que ele invada a sala e espalhe balbúrdia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761352921707307904-4648903155085500104?l=omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/feeds/4648903155085500104/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761352921707307904&amp;postID=4648903155085500104' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/4648903155085500104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/4648903155085500104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/2008/04/sobre-o-silncio.html' title='Sobre o silêncio'/><author><name>Bugre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15497524348212087363</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761352921707307904.post-4346143729301841957</id><published>2008-04-04T16:13:00.000-07:00</published><updated>2008-04-04T16:28:22.984-07:00</updated><title type='text'>Sobre os transgênicos.</title><content type='html'>Na verdade é uma falta de respeito o que acontece com a maneira com que o assunto dos transgênicos vem sendo tratada no Brasil. A imprensa prefere passar por alto dessa questão, tratando-a como uma seqüência de fatos sem discussão.&lt;br /&gt;A lei manda que os artigos tenham um aviso no rótulo, um triângulo amarelo com um "T" no centro. Eu, sinceramente, só conheci o símbolo através de blogs e revistas alternativas, nunca vi num produto de fato.&lt;br /&gt;Mas para quem quiser evitar, na medida do possível, os produtos transgênicos, pode consultar o guia do consumidor no site do greenpeace.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.greenpeace.org/brasil/transgenicos/consumidores/guia-do-consumidor-2"&gt;http://www.greenpeace.org/brasil/transgenicos/consumidores/guia-do-consumidor-2&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui vão os links de algumas reportagens sobre o tema:&lt;br /&gt;Ponto de vista "neutro", que eu prefiro classificar de omisso, porque não discute as vantagens ou desvantagens para o consumidor dessa medida:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://oglobo.globo.com/pais/mat/2008/03/15/curitiba_protesta_contra_liberacao_de_milho_transgenico-426254258.asp"&gt;http://oglobo.globo.com/pais/mat/2008/03/15/curitiba_protesta_contra_liberacao_de_milho_transgenico-426254258.asp&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u371778.shtml"&gt;http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u371778.shtml&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse artigo do Stédile é bom, ressalta bem as desvantagens dessa aprovação. Vale a pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/milho-transgenico-a-quem-interessa/"&gt;http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/milho-transgenico-a-quem-interessa/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por fim, um protesto contra o fato de que a Vigor não cumpre a lei e mantém sem rótulo os seus alimentos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.greenpeace.org/brasil/transgenicos/noticias/ministerio-p-blico-de-sp-inves"&gt;http://www.greenpeace.org/brasil/transgenicos/noticias/ministerio-p-blico-de-sp-inves&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761352921707307904-4346143729301841957?l=omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/feeds/4346143729301841957/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761352921707307904&amp;postID=4346143729301841957' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/4346143729301841957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/4346143729301841957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/2008/04/sobre-os-transgnicos.html' title='Sobre os transgênicos.'/><author><name>Bugre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15497524348212087363</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761352921707307904.post-6547172705017232120</id><published>2008-04-04T15:24:00.000-07:00</published><updated>2008-04-04T15:26:27.164-07:00</updated><title type='text'>Mais links do Shibata</title><content type='html'>Esse agora não tem nada de engraçadinho, é o link de uma entrevista que o Valério Arcary deu para a Caros Amigos. É, ele já foi meu professor de filosofia na Federal!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://dceuem.blogspot.com/2008/03/entrevista-com-valrio-arcary-na-revista.html"&gt;http://dceuem.blogspot.com/2008/03/entrevista-com-valrio-arcary-na-revista.html&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761352921707307904-6547172705017232120?l=omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/feeds/6547172705017232120/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761352921707307904&amp;postID=6547172705017232120' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/6547172705017232120'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/6547172705017232120'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/2008/04/mais-links-do-shibata.html' title='Mais links do Shibata'/><author><name>Bugre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15497524348212087363</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761352921707307904.post-5553748655825821851</id><published>2008-04-01T17:43:00.000-07:00</published><updated>2008-04-01T17:48:22.337-07:00</updated><title type='text'>Links do Shibata</title><content type='html'>O Shibata é um amigo meu que sempre me manda uns links maneiros de umas coisas nada a ver. Sempre disse para ele montar um blog com esses links, que iria ser algo engraçado. Como ele ainda nao tem um blog, esse post vai como uma citaçao futura. Tente a sorte, divirta-se com alguns dos links que ele me manda:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://noticias.terra.com.br/mundo/interna/0,,OI2721490-EI8142,00.html"&gt;http://noticias.terra.com.br/mundo/interna/0,,OI2721490-EI8142,00.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=-U7sfSmxxj0"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=-U7sfSmxxj0&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.latimes.com/news/opinion/commentary/la-oe-harman31mar31,0,5399612.story"&gt;http://www.latimes.com/news/opinion/commentary/la-oe-harman31mar31,0,5399612.story&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761352921707307904-5553748655825821851?l=omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/feeds/5553748655825821851/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761352921707307904&amp;postID=5553748655825821851' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/5553748655825821851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/5553748655825821851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/2008/04/links-do-shibata.html' title='Links do Shibata'/><author><name>Bugre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15497524348212087363</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761352921707307904.post-1899617772284060040</id><published>2008-04-01T08:32:00.001-07:00</published><updated>2008-04-01T08:44:53.135-07:00</updated><title type='text'>Curiosamente, notícia que não saiu no Brasil</title><content type='html'>&lt;em&gt;Forças israelenses mataram dois guerrilheiros do Hamas em troca de fogo durante uma breve incursão armada na Faixa de Gaza, informaram fontes médicas palestinas.&lt;br /&gt;O tiroteio começou depois de que muitos veículos armados e tanques israelenses cruzaram a linha muitas centenas de metros à leste da cidade de Bir el-Balah no centro de Gaza na terça-feira, as fontes continuaram.&lt;br /&gt;Dois membros da ala armada do Hamas, identificados como Abdullah Louh e Yehya Borrak foram mortos na troca de fogo que começou quando os dois lados assistiam a uma pausa no conflito na região de Gaza por três semanas.&lt;br /&gt;Dois civis também foram feridos no mesmo incidente, as fontes completaram.&lt;br /&gt;Uma porta-voz do exército israelense confirmou que tropas “identificaram e atingiram” dois homens armados durante a incursão. Muitos outros palestinos foram detidos para interrogatório, ela disse.&lt;br /&gt;As mortes de terça-feira elevam para 363 o número de pessoas mortas desde que israelenses e palestinos retomaram as conversações de paz na reunião americana de novembro último, de acordo com a contagem da AFP.&lt;br /&gt;Ao menos 6326 pessoas foram assassinadas desde o começo da segunda entifada palestina em setembro de 2000, a vasta maioria deles palestino, de acordo com uma outra contagem da AFP. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Fonte: &lt;a href="http://english.aljazeera.net/NR/exeres/5BEE3584-A5ED-4A52-AA47-952B626FF153.htm"&gt;http://english.aljazeera.net/NR/exeres/5BEE3584-A5ED-4A52-AA47-952B626FF153.htm&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra notícia interessante. Tropas israelenses invadem a Faixa de Gaza, matam duas pessoas, ferem civis, interrogam vários outros. Isso vai fere o Direito Internacional, vai contra as negociações de paz, e a notícia sequer sai no Brasil. Talvez para ajudar a manter a imagem que a imprensa daqui constrói de Israel, como a de um país civilizado que sempre age no sentido de conversar com aqueles "árabes intolerantes". Por isso eu gosto da imprensa livre, tenho que agradecer o direito que possuo de ler um site árabe em inglês para ter acesso a essa notícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só um comentário extra: dá para comparar os métodos usados em Guantánamo pelos americanos e na Palestina pelo exército israelense com os que a nossa polícia usa para combater o tráfico? Isto é, invasões, tortura, pena de morte corriqueira e longe da imprensa, vítimas “acidentais”, sempre fazendo parte da parcela excluída de nossa sociedade e blitz sem justificativas? Devemos ficar orgulhosos com isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, não só usamos os métodos, mas somos o primeiro país no mundo onde a população exulta e bate palmas quando descobre que um batalhão da polícia sobe os morros cariocas torturando e fuzilando. Melhor, transformamos isso em auto-ajuda - confira o artigo da Folha sobre a "Caveira motivacional".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estou orgulhoso do meu país. E você?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761352921707307904-1899617772284060040?l=omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/feeds/1899617772284060040/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761352921707307904&amp;postID=1899617772284060040' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/1899617772284060040'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/1899617772284060040'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/2008/04/curiosamente-notcia-que-no-saiu-no.html' title='Curiosamente, notícia que não saiu no Brasil'/><author><name>Bugre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15497524348212087363</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761352921707307904.post-7238896690392759790</id><published>2008-04-01T08:06:00.000-07:00</published><updated>2008-04-01T08:36:48.097-07:00</updated><title type='text'>Caveira motivacional</title><content type='html'>Veja a reportagem da folha sobre este curioso fenômeno:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.nevusp.org/portugues/index.php?option=com_content&amp;amp;task=view&amp;amp;id=1562&amp;amp;Itemid=29"&gt;http://www.nevusp.org/portugues/index.php?option=com_content&amp;amp;task=view&amp;amp;id=1562&amp;amp;Itemid=29&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761352921707307904-7238896690392759790?l=omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/feeds/7238896690392759790/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761352921707307904&amp;postID=7238896690392759790' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/7238896690392759790'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/7238896690392759790'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/2008/04/caveira-motivacional.html' title='Caveira motivacional'/><author><name>Bugre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15497524348212087363</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761352921707307904.post-3370841667381033314</id><published>2008-04-01T06:12:00.001-07:00</published><updated>2008-04-01T06:20:29.638-07:00</updated><title type='text'>Só para comparar</title><content type='html'>Uma prática que se mostra bem interessante em terra de mídias suspeitas é a tradução de artigos. Este fala da prisão e da acusação de um suspeito de terrorismo em Guantánamo e está no site da al-Jazira. Vale a pena compará-lo com o artigo que saiu publicado no Yahoo News. Quem tiver o mínimo de senso crítico, vai perceber que o site americano passa por alto quando se trata de explicar a polêmica em torno das ações "jurídicas" na ilha, como são os interrogatórios por lá, o protesto dos ativistas contra as práticas.&lt;br /&gt;Aqui vão os dois links:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da al-Jazira:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://english.aljazeera.net/NR/exeres/0B7CBB9E-2817-4DDD-A93A-C09CFE154C3A.htm"&gt;http://english.aljazeera.net/NR/exeres/0B7CBB9E-2817-4DDD-A93A-C09CFE154C3A.htm&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Da Yahoo News (AFP):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://br.noticias.yahoo.com/s/afp/080331/mundo/eua_justi__a_terrorismo"&gt;http://br.noticias.yahoo.com/s/afp/080331/mundo/eua_justi__a_terrorismo&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Abaixo segue a tradução do artigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Estados Unidos indicia um homem pelos atentados de 98 no Quênia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Promotores militares americanos acusaram um suspeito Tanzaniano da al-Qaeda detido na Baía de Guantánamo por Crimes de Guerra por causa dos atentados de 98 na África e vão lutar por sua execução, diz o Pentágono.&lt;br /&gt;Ahmed Khalfan Ghailani foi condenado por nove crimes, incluindo assassinato, além de colocar uma bomba na embaixada americana na Tanzânia, que matou onze pessoas.&lt;br /&gt;“Seis das nove acusações acarretam a pena máxima – a pena de morte”, afirmou o general brigadeiro Thomas Hartman, conselheiro legal do Escritório de Promotoria em Guantánamo.&lt;br /&gt;Ghailani foi preso no Paquistão em Julho de 2004 em um tiroteio com a polícia e depois foi entregue para os Estados Unidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Plano de atentado&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Pentágono disse que depois dos ataques na Tanzânia e no Quênia, nos quais mais de 200 pessoas morreram, Ghailani trabalhou como guarda-costas para Osama bin Laden, o líder da al-Qaeda, falsificou documentos e treinou recrutas terroristas.&lt;br /&gt;Ghailani também se refugiou no Guaziristão do Sul, uma região tribal do Paquistão, na fronteira com o Afeganistão, mas foi expulso por uma operação militar maior, informaram as forças de segurança paquistanesas.&lt;br /&gt;Ele é acusado de exercer um papel crucial no atentado na Tanzânia, incluindo comprar os explosivos e detonadores e mover partes da bomba para casas seguras na maior cidade da Tanzânia, Dar es Salaam.&lt;br /&gt;Os promotores também alegam que ele fez o reconhecimento da embaixada americana com o motorista do veículo que levou a bomba.&lt;br /&gt;Seis outros suspeitos da al-Qaeda estão enfrentando processos de pena de morte nas audições da Baía de Guantánamo, incluindo Khalid Sheikh Mohammed, que supostamente planejou os ataques de 11 de setembro, que mataram aproximadamente 3000 pessoas.&lt;br /&gt;Um total de 15 detentos em Guantánamo estão agora sendo processados sob o Ato de Promotoria Militar de 2006, que instaurou os tribunais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Interrogatórios duros&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os grupos de Direitos Humanos condenaram os tribunais, que foram instaurados para julgar os “inimigos combatentes”, mantido pelos Estados Unidos em Guantánamo, com o peso de obter certezas para a “guerra ao terror”.&lt;br /&gt;Eles também dizem que os tribunais não são confiáveis.&lt;br /&gt;“Essas promotorias não são adequadas para julgar ninguém, ainda menos para condenar uma pessoa à morte”, afirma Jumana Musa, uma advogada americana da Anistia Internacional.&lt;br /&gt;As preocupações também se voltaram para as duras técnicas de interrogatório, incluindo o uso de tanque de água para simular afogamento nos suspeitos da Baía de Guantánamo. É especialmente preocupante que ele pode ser sentenciado à morte num sistema que permite, em certas circunstâncias, o uso de evidências obtidas através de interrogatórios totalmente abusivos, e passa por cima de regras e procedimentos, explicou Jennifer Daskal, do Human Rights Watch.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761352921707307904-3370841667381033314?l=omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/feeds/3370841667381033314/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761352921707307904&amp;postID=3370841667381033314' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/3370841667381033314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/3370841667381033314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/2008/04/s-para-comparar.html' title='Só para comparar'/><author><name>Bugre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15497524348212087363</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761352921707307904.post-1283395602196180845</id><published>2008-03-31T18:25:00.000-07:00</published><updated>2008-07-14T14:09:17.077-07:00</updated><title type='text'>Livre(?)-imprensa</title><content type='html'>Por uma coincidência incrível, justamente durante o debate sobre a regularização da tevê a cabo proposta pelo governo, estou no auge da leitura de um livro que sinto que faz muita falta, ou porque os meios o esqueceram, ou porque não é exatamente confortável lembrar. Trata-se de Tough Control in Democratic Societies, de Noam Chomsky, que tem uma tradução (Controle da Mídia). Gostaria de comentar alguma coisa que, longe de esgotar o assunto, ou colocar opiniões de uma maneira muito incisiva, vem a enriquecer toda a discussão; até porque se trata de longe do maior intelectual vivo, do mais admirado, e porque o livro trata justamente de suas duas maiores especialidades: lingüística e política.&lt;br /&gt;Claro que não quero publicar um resumo do livro, apesar de que isso seria muito interessante. Mas, longe disso, desejo apenas, com o apoio desse estudioso, desfazer algumas noções que sempre aparecem como se fossem verdades absolutas e que, na prática, têm a consistência de um conto da carochinha.&lt;br /&gt;Vamos primeiro colocar as peças no tabuleiro. Dentro do debate sobre a regularização de mídia por parte do governo, qualquer que seja a mídia, qualquer que seja o país ocidental onde essa querela se instaure, sem excluir a possibilidade de outras posições, invariavelmente vêm à tona dois pólos. Um deles defende que o governo deve intervir nos meios, geralmente com o argumento de que se faz necessário garantir seu acesso à maioria dos grupos de interesse dentro da sociedade a fim de que aconteça uma democracia efetiva. Outro pólo gravita em torno daqueles que defendem a livre-imprensa, e que são avessos a qualquer sugestão de controle, por menor que seja. Segundo estes, o controle acontece “naturalmente”, ao mesmo tempo em que as emissoras tentam agradar ao público, pois elas não podem fazer outra coisa senão dar às pessoas o que elas querem ver.&lt;br /&gt;Para começar, na prática o termo ‘livre-imprensa’ é uma expressão bonita para designar a mídia quando ela é controlada pelos interesses do capital, de empresários, do governo, às vezes. A grande tevê e imprensa não têm nada de livre. Existem limites bem claros sobre o que pode sair nos meios de grande circulação e aquilo que está fora. Até um adolescente entende que a notícia no mundo moderno é uma mercadoria como a carne ou um automóvel, e que, portanto, quanto maior a circulação de uma revista ou jornal, menor a “liberdade” que se permite aos jornalistas. Os grandes canais de televisão, as grandes revistas e jornais, todos são controlados por figuras poderosíssimas dentro do jogo político e empresarial. Falar em livre-imprensa como se estivéssemos falando da libertação dos escravos, ou de um direito conquistado com o fim da ditadura é de um cinismo sem igual, até porque esses veículos continuam nas mãos justamente das pessoas que apoiaram o regime dos militares durante vinte e cinco anos.&lt;br /&gt;A liberdade de imprensa é uma fantasia que, de tanto repetirem, existe gente que acredita. Mas nem nos Estados Unidos acontece. Nunca aconteceu. Basta ver como se fez lá a cobertura de todas as guerras, a mais recente, a do Iraque. Vale lembrar o desgosto que um pouco de diferenças nas coberturas pode causar: o senhor Bush endereçou à rede de TV de Qatar, a Al-Jazira algumas críticas por ser “tendenciosa” ao “exagerar” o número de civis mortos. A “guerra limpa” promovida pelos Estados Unidos, como é de costume, bombardeou hospitais, dentre outros alvos civis, uma prática considerada terrorista. Claro, isso ficou longe da “livre-imprensa” de lá. Nenhum dos veículos livres dos Estados Unidos chegou a compartilhar ao menos um pouco da perspectiva da Al-Jazira. Até hoje as coisas continuam assim. Quem ler o site da rede de notícias árabe em inglês e compará-lo com o qualquer agência americana, muitas vezes tem a impressão de que estão tratando de assuntos diferentes. É como se estivéssemos num campo de futebol, e as redes de tevê e os jornais de um país tivessem a liberdade de ocupar uma metade, em qualquer ponto que quisessem, mas não a de cruzar a linha do meio de campo. É o que acontece na prática. Existe uma espécie de pacto de silêncio quando se trata de certos assuntos. A verdade é que, se alguém quer dizer alguma coisa que contrarie os interesses dos grandes grupos de empresários, ou do governo, precisa escrever um livro. Se der sorte, as idéias se difundem no boca a boca entre os intelectuais e, com algum tempo, se houver interesse, muito aos poucos, essas idéias vão se infiltrando nas discussões promovidas pelos meios.&lt;br /&gt;O controle da mídia nas sociedades democráticas é complexo, porém muito mais forte que a censura que existe em alguns países comunistas. Os formadores de opinião são pagos para pensar as “coisas certas” e encontrar argumentos convincentes que as justifiquem. Um jornalista, em geral não tem opção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;In short, the major media—particularly, the elite media that set the agenda that others generally follow—are corporations “selling” privileged audiences to other businesses. It would hardly come as a surprise if the picture of the world they present were to reflect the perspectives and interests of the sellers, the buyers, and the product. Concentration of&lt;br /&gt;ownership of the media is high and increasing.18 Furthermore, those who occupy managerial positions in the media, or gain status within them as commentators, belong to the same privileged elites, and might be expected to share the perceptions, aspirations, and attitudes of their associates, reflecting their own class interests as well. Journalists&lt;br /&gt;entering the system are unlikely to make their way unless they conform to these ideological pressures, generally by internalizing the values; it is not easy to say one thing and believe another, and those who fail to conform will tend to be weeded out by familiar mechanisms.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;p. 19 de Necessary Ilusions - Tough Control in Democratic Societies&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Livre-tradução:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Em resumo, a grande mídia – particularmente, a mídia de elite que faz a agenda que as outras geralmente apenas seguem – são corporações “vendendo” público privilegiado para outros negócios. Dificilmente seria uma surpresa se a visão de mundo que eles apresentam refletisse as perspectivas e interesses dos vendedores, dos compradores e do produto. A concentração da propriedade dos meios é alta e só faz crescer. Além disso, aqueles que ocupam posições de gerência na mídia, ou ganham status nela como comentadores, pertencem às mesmas elites privilegiadas, e se pode esperar que compartilhem as percepções, aspirações e atitudes de seus associados, refletindo também seus próprios interesses de classe. Jornalistas que estão entrando no sistema não conseguem abrir espaço e subir a menos que se conformem a essas pressões ideológicas, geralmente internalizando os valores das elites; não é fácil dizer uma coisa acreditando em outra, e aqueles que falham em se conformar são podados por mecanismos familiares.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Os mecanismos familiares vão ser explicados em detalhes depois. Incluem, basicamente, a necessidade de construir de uma reputação por parte do profissional. Se disser as coisas erradas, a reputação não vem, e o profissional da mídia rapidamente é descartado. Há mais gente disposta a dizer o script do que vagas, e essa parece ser um mecanismo de censura bem eficiente. Além disso, quem controla a manipulação final de textos, a edição de imagens e de fotos que vão aparecer nas páginas do jornal, os enredos das novelas que possam ter alguma conotação política, etc., são pessoas que já estão devidamente adestradas há muitos anos pelo processo de “não diga coisas feias”. Basta pisar no calo de algum poderoso, e um editor tranqüilamente pode ir parar na rua.&lt;br /&gt;Deixando claro o cínico conto da carochinha sobre “livre-imprensa” nas sociedades democráticas, podemos rebatizar a maneira como a mídia está organizada em nossa sociedade: “oligopólio corporativo”. Esse nome é mais adequado porque reflete duas coisas que são facilmente constatáveis. A primeira, é que se trata de um oligopólio, isto é, poucos controlam a maioria dos meios. A segunda, se trata de um oligopólio corporativo, ou seja, com todas as características das empresas: falta de democracia nas decisões, abuso de técnicas de propaganda para induzir a criação de uma opinião, venda de espaço nas notícias ou nas produções, lobby político, etc.&lt;br /&gt;Claro esse ponto, vem a pergunta: ter uma imprensa com controle por parte do governo é melhor ou pior que ter uma imprensa controlada por mecanismos corporativos? Eu não me sinto preparado para responder a essa pergunta, mas Chomsky dá uma pista interessante na parte grifada:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;In the first chapter, I mentioned three models of media organization: (1) corporate oligopoly; (2) state-controlled; (3) a democratic communications policy as advanced by the Brazilian bishops. &lt;strong&gt;The first model reduces democratic participation in the media to zero, just as other corporations are, in principle, exempt from popular control by work force or community.&lt;/strong&gt; In the case of state-controlled media, democratic participation might vary, depending on how the political system functions; in practice, the state media are generally kept in line by the forces that have the power to dominate the state, and by an apparatus&lt;br /&gt;of cultural managers who cannot stray far from the bounds these forces set. The third model is largely untried in practice, just as a sociopolitical system with significant popular engagement remains a concern for the future: a hope or a fear, depending on one’s evaluation of the right of the public to shape its own affairs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Livre-tradução:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;No primeiro capítulo, mencionei três modelos de organização dos meios: (1) oligopólio corporativo; (2) controlada pelo estado; (3) uma política de comunicações como a proposta pelos bispos brasileiros. &lt;strong&gt;O primeiro modelo reduz a participação democrática na mídia a zero, já que as corporações são, a princípio, isentas de controle popular, seja através da força de trabalho, seja através da comunidade.&lt;/strong&gt; No caso de uma mídia controlada pelo estado, a participação democrática pode variar, dependendo de como o sistema político funcione; na prática, os meios do estado são geralmente mantidos na linha pelas forças que têm o poder de dominar o aparelho do Estado, e pelo aparato de gerentes culturais que não podem se afastar muito das fronteiras que essas forças estabelecem. O terceiro modelo não existe na prática, já que um sistema sociopolítico com participação popular significativa permanece uma preocupação para o futuro: um medo ou uma esperança, dependendo da avaliação que uma pessoa tenha sobre o direito do povo definir seus próprios rumos.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Temos de fazer uma ressalva, e lembrar que Chomsky é tachado como um intelectual “de esquerda”, apesar de não ser marxista, nem nunca ter seguido as correntes tradicionais do comunismo. Prefiro pensar nele como um crítico, principalmente da “direita”. De qualquer forma, suas idéias são difíceis de bater porque, como não são baseadas no comunismo clássico, não desmoronaram em 1991. Desconheço quem consiga vencê-lo com argumentos. O que vejo é as pessoas solenemente ignorarem suas análises. Enfim, ao discutir a questão da regulamentação da mídia pelo governo, acho que pega mal, ofende a inteligência ver grandes jornais usarem termos e expressões como “a liberdade do espectador em ver o que quiser”, “livre-imprensa”, e similares. Independente do ponto de vista escolhido, podemos ter um mínimo de decência e batizar a situação com nomes que reflitam melhor o estado de coisas. A mídia nunca foi “livre”. Assim sendo, pelo menos deixemos claro quem é o dono dela: algumas corporações. Desse modo, os lados ficam mais visíveis: queremos meios controlados totalmente por poucos "coronéis" empresariais, ou vamos permitir que o governo pelo menos tente democratizar um pouco a mídia?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761352921707307904-1283395602196180845?l=omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/feeds/1283395602196180845/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761352921707307904&amp;postID=1283395602196180845' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/1283395602196180845'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/1283395602196180845'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/2008/03/livre-imprensa.html' title='Livre(?)-imprensa'/><author><name>Bugre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15497524348212087363</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761352921707307904.post-4382006446158988109</id><published>2008-03-08T15:17:00.000-08:00</published><updated>2008-03-17T14:42:25.339-07:00</updated><title type='text'>CUBA 2059</title><content type='html'>A Rodrigo, a Sheyla&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oficialmente Cuba nunca se rendeu. No começo, todos tinham certeza da queda iminente do ditador. A pressão do inimigo era muito forte e segundo as análises mais esclarecidas lhe seria impossível resistir. As previsões iniciais fracassaram, e o erro de cálculo foi atribuído ao fato de que existia uma ajuda externa que possibilitava tudo aquilo. Em 1991 essa ajuda acabaria, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas desmoronou - ninguém dava mais de cinco anos para o país que enfrentava bloqueio comercial da nação mais poderosa no planeta. De novo, as previsões foram definhando mais rápido que o regime, e tinham sido esquecidas pelo caminho de outros assuntos mais interessantes quando, depois de dezesseis anos do fim do gigante comunista, e quarenta e nove de revolução, Fidel Castro renunciou ao cargo e o entregou a um sucessor. Houve rebuliço. Cogitou-se uma abertura inevitável e imediata do país, ainda que gradual. Afirmou-se que, sem o carisma desse homem comandando as massas, o regime não resistiria por muito tempo. Por anos, aguardaram o enfraquecimento da estrutura de governo fadada à destruição, e por anos se ansiou pela abertura. Novamente, a previsão se desmanchou conforme os anos fluíam e a imaginação das pessoas teve de se contentar com as explicações para a vitalidade do regime. Tentavam decifrar que tipo de instruções estavam sendo passadas para o homem que ocupava o posto de presidente. Para explicar o fracasso das previsões, formularam a teoria de que, acostumada à falta de liberdade, a população não teria exigido seus direitos no momento oportuno. E completavam a teoria dizendo que era preciso invadir e reorganizar aquela república nos moldes capitalistas. Mas faltava aos Estados Unidos, além do interesse econômico que motivasse a ocupação, um pretexto mais forte, e a invasão não saiu do papel dos jornais. O tempo correu como sempre. Duas vezes noticiou-se a morte do líder da Revolução de 1959, mas só na terceira a imprensa contava com o respaldo dos fatos. Nesse instante, quando o enterro foi transmitido ao vivo para todos os países, ninguém mais duvidava de que em questão de horas a ilha abriria suas portas, ou seria violada. O tempo foi passando, passando, e mais uma vez o mundo provou que estava errado. Oficialmente Cuba nunca se rendeu.&lt;br /&gt;Sempre faltaram a essa ilha: dinheiro e um desenvolvimento de tecnologia sistemático. Dinheiro sobretudo. Era parte de um irônico preço a se pagar na luta contra o imperialismo ianque. Isso não impediu, porém, que a administração de Cuba mantivesse afinidades interessantes com o seu inimigo que só hoje o olhar do historiador pode perceber. Para começar, em ambos os países havia um fluxo grande turistas e estudantes vindos de fora. Também é de se notar que tanto no caso de uma quanto de outra nação, as políticas dependiam do exército, de propaganda intensiva , de eleições condicionadas e de uma rígida política nas fronteiras. Outro ponto em comum com os inimigos do norte foi que, a partir do começo deste século iniciou-se a vigilância estrita dos cidadãos. Havia câmeras por todos os lados a pretexto de garantir a segurança do regime ameaçada por inimigos que se enxergavam por toda parte. Também na imprensa das duas nações havia um controle estrito do que podia ou não ser publicado. Os jornais capitalistas jamais tocavam nos pontos cruciais do sistema em que estavam, e lutavam para difundir os dogmas necessários à continuidade do status quo e atacar acerbamente qualquer ameaça aos interesses de seus financiadores. O mesmo se passava na pequena ilha, com a diferença de que ali quem mantinha e controlava os veículos de comunicação não eram os empresários, ausentes estes, mas sim o Estado.&lt;br /&gt;A partir da queda da União Soviética, o espírito crítico se perseguiu de maneira implacável, tanto na pequenina porção de terra, então isolada no mar por um bloqueio comercial asfixiante, quanto na grande potência, asfixiada em terra por uma atividade comercial que inundava tudo. Porém, há que se apontar uma diferença significativa no modus operandi de ambos. Enquanto nos Estados Unidos, quem censurava a imprensa relevante eram as corporações, através de um complexo sistema que envolvia a posse dos veículos, fluxos de capitais, perseguição dos indivíduos incômodos, em Cuba o Estado verificava diretamente a conveniência ou não de dada notícia e administrava ele mesmo os jornais e a propaganda. De qualquer modo, cada vez menos o espírito crítico se mostrou socialmente útil em um ou em outro país. Tratava-se de uma excrescência com que se tinha de lidar. O caso dos transgênicos ilustra esse ponto muito bem.&lt;br /&gt;Em Cuba não se falava dessa mudança na agricultura em nível mundial. Ou melhor, falava-se mal. Os alimentos modificados geneticamente eram a materialização do demônio capitalista que ousava desafiar as leis da Natureza na ânsia pelo lucro. Por sua vez, do outro lado do mar do Caribe, assim como em suas colônias financeiras (Brasil, Colômbia, etc.), na prática os meios estavam virtualmente proibidos de uma reportagem séria que levantasse qualquer aspecto negativo dos alimentos transgênicos. A simples idéia de se fazer uma pesquisa científica cujo objetivo fosse avaliar mais a fundo possíveis malefícios dessas plantas recebia todo tipo de perseguição, falta de fundos, rancor acadêmico, ataque à reputação do cientista. Se este conseguisse levar a cabo as pesquisas, se conseguisse equipe e manter o emprego, os veículos de comunicação simplesmente censuravam os achados. E ainda que algum veículo tivesse a ousadia de publicá-lo, os processos por calúnia que as empresas de transgênicos imputavam na justiça, o boicote de patrocinadores, mesmo as ameaças físicas aos jornalistas pairavam sombrias. Este é um exemplo de como funcionava a censura. Como se vê, era mais sutil e enfrentou muito menos problemas que a cubana, já que tinha diversos agentes.&lt;br /&gt;A divisão do trabalho nos dois países também diferia muito a princípio. Em Cuba, à parte a classe dirigente, que tinha diversas regalias, os profissionais ganhavam mais ou menos o mesmo soldo, médico, engenheiro, filósofo. Evidente que isso gerava um certo mal-estar dentro da ilha, pois muitos se queixavam do fato de que poderiam estar ganhando mais no exterior. Nos países capitalistas, a classe média ficava chocada com esse estado de coisas, pois estava acostumada a se impor aos membros inferiores do corpo social de seu próprio país, e a formação era um dos instrumentos que lhe permitia esse fim. Na mente de um cidadão mediano do terceiro quartel do século passado, mente condicionada pelos dogmas positivistas e pela necessidade de progresso, era perfeitamente aceitável que um publicitário ganhasse mais que uma empregada doméstica, porque aquele tinha mais qualificação. Mas já nos primeiros anos do século XXI outro quadro se foi delineando. A formação em si foi perdendo importância para a maioria das pessoas; um garçom nos Estados Unidos ganhava, em muitos casos, o mesmo salário de engenheiros na Argentina. Por esta época, começou a se desenhar uma nova espécie de divisão de classes, baseada no nascimento. Paradoxalmente, quanto mais se falava em globalização, em integração dos países, mais as categorias inferiores da população mundial estavam presas ao seu solo. Isto não só em Cuba, onde os cidadãos eram proibidos de sair, mas, por exemplo, na linha que separava o terceiro do primeiro mundo, onde se proibia a entrada de quem quer que fosse inconveniente. Algumas mães grávidas cruzavam desesperadas a fronteira entre México e Estados Unidos na esperança de que seus filhos viessem ao mundo cidadãos americanos. Em países mais conservadores, como os da Europa, esse truque não funcionava, já que se fazia necessária mais de uma geração para a conquista da cidadania. Vale notar que a classe dirigente – e faziam parte dessa classe quem tivesse muito dinheiro em sua conta bancária – cruzava facilmente essa linha, assim como alguns cientistas muito brilhantes, ou outros profissionais de exceção, como desportistas.&lt;br /&gt;De qualquer forma, os dois sistemas foram se tornando mais e mais semelhantes conforme o tempo passou. Dentro de Cuba as pessoas sempre se dividiram entre o homem comum, por um lado, e por outro, os homens de Estado, que tinham dinheiro, dirigiam todas as coisas, controlavam a imprensa, a vigilância, tinham acesso livre às tecnologias de ponta. Fora, à medida que a concentração de capitais atingiu níveis estratoféricos, as megacorporações se fundiam e tornavam-se mais fortes que os governos, cada vez mais os cidadãos do primeiro mundo dividiam-se em 1)empregados, que eram a reserva de mão-de-obra com índices de ocupação cada vez menor, versus 2)empresários, que tinham dinheiro, dirigiam todas as coisas (incluindo os políticos), controlavam a imprensa, a vigilância, tinham acesso às tecnologias de ponta. Até meados da terceira década, restava ainda uma escala de profissões que conferia certo prestígio às pessoas dentro do que restava da classe média.&lt;br /&gt;Mas quando as inteligências artificiais começaram a ser utilizadas em larga escala pelas empresas e pelo governo de Cuba, a partir de 2035, houve profundas transformações. Todos os empregos foram paulatinamente sendo substituídos. Primeiro, no setor de engenharia e de pesquisas. O desenvolvimento da ciência se fazia em laboratórios virtuais onde computadores inteligentes de capacidade integrada encontravam novas soluções para os problemas que se apresentavam. Depois, foi a vez da publicidade, da produção de textos na imprensa, de filmes, que funcionavam como estratégia de dominação, tudo isso foi sendo transferido para o “quarto setor”. As máquinas geravam desde roteiros até rostos e personalidades célebres que cativavam o público como ninguém mais.&lt;br /&gt;Surpreendentemente, um dos últimos setores a serem totalmente ocupados pelas máquinas foi o dos empregos menos qualificados. Se observarmos atentamente a situação, vemos que faz todo o sentido. Os empregos menos qualificados nunca pagaram bem, além de que eram realizados sobretudo por estrangeiros. Ainda havia o inconveniente de que o trabalho físico envolvido exigia integração do software com um aparato mecânico. Assim, sua substituição por máquinas não foi prioritária, acontecendo um par de anos depois do grande boom que foi a demissão em massa de profissionais altamente qualificados. Em 2050 estavam empregados pouquíssimos desses profissionais nos Estados Unidos. Cada vez ficou mais claro que as pessoas se dividiam em função do país em que tinham nascido, em primeiro lugar, e depois disso, em duas classes: a classe dirigente, que tinha dinheiro para investir em pesquisa e que controlava os rumos desses países; e a classe de profissionais que cada vez tinham menos o que fazer.&lt;br /&gt;É claro que o desemprego crônico levou a muitos conflitos e reformas. Não temos espaço aqui para listar tudo o que aconteceu, nem é este um momento oportuno para isso. Para nossos objetivos, basta dizer que nos Estados Unidos, a massa da população desocupada passou a depender de alguns homens que detinham o poder e a tecnologia. Houve uma reorganização profunda. A maioria das pessoas passou a exercer alguns trabalhos ocasionais e receber ajuda do Estado. Também passou a haver muito incentivo ao esporte e à atividade artística. Essa reforma ainda não se estendeu para outros lugares subdesenvolvidos do mundo, como China e Brasil, que ainda mantêm os empregos para evitar o caos social.&lt;br /&gt;Mas quem anda pelas ruas de Havana não pode deixar de notar a semelhança da organização social com a dos ianques. Se descontarmos a língua e a cultura, quase nada a diferencia substancialmente de uma cidade como Nova Iorque. Em alguns lugares, tais quais Califórnia, ou Texas, nem a língua, já que são regiões de forte imigração hispânica. Dos dois lados da fronteira temos uma população ociosa que depende da classe que detém o dinheiro e controla os meios de produção e de comunicação.&lt;br /&gt;Os dirigentes tanto de um quanto de outro país foram se dando conta da situação, mas não se dão por achados.&lt;br /&gt;A saída de Cuba finalmente foi liberada em 2059 para os cidadãos. No começo, houve emigração pelo desejo natural que a população tinha de conhecer o novo. Depois, o Estado recebeu de volta muitos do que se haviam ido, além de contingentes do Terceiro Mundo. Afinal, Cuba em muitos aspectos oferece uma qualidade de vida semelhante ao do seu maior adversário político.  &lt;br /&gt;Há quem enxergue nisso uma vitória comunista em terras americanas. O sistema capitalista teria comido suas próprias bases e agora estava organizado na prática segundo os moldes de um estado socialista, com poucos dirigentes que detinham os meios de produção. Os analistas avessos às teorias marxistas, por outro lado, analisam a situação de maneira oposta, dizendo que finalmente os americanos venceram a resistência da ilha, impondo-lhes a economia de mercado. De qualquer forma, o fato é que oficialmente Cuba nunca se rendeu.&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;Retirado de:&lt;br /&gt;CASTRO, Robert Donald. &lt;em&gt;Las venas abiertas del imperio - Historia comparada del siglo XX y XXI&lt;/em&gt;, p. 257-261.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761352921707307904-4382006446158988109?l=omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/feeds/4382006446158988109/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761352921707307904&amp;postID=4382006446158988109' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/4382006446158988109'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/4382006446158988109'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/2008/03/cuba-2059.html' title='CUBA 2059'/><author><name>Bugre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15497524348212087363</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761352921707307904.post-6185823299954697423</id><published>2007-11-05T18:45:00.000-08:00</published><updated>2007-11-05T18:47:24.317-08:00</updated><title type='text'>Sidarta</title><content type='html'>&lt;span&gt;A lagarta simples&lt;br /&gt;Quiçá, borboleta.&lt;br /&gt;Nem toda, porém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas homem, se sábio,&lt;br /&gt;Um dia lagarta, decerto.&lt;br /&gt;Veneno. Remédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hai que se errar muito.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761352921707307904-6185823299954697423?l=omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/feeds/6185823299954697423/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761352921707307904&amp;postID=6185823299954697423' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/6185823299954697423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/6185823299954697423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/2007/11/sidarta.html' title='Sidarta'/><author><name>Bugre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15497524348212087363</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761352921707307904.post-8516942495146008785</id><published>2007-10-24T06:15:00.000-07:00</published><updated>2007-11-05T18:52:46.376-08:00</updated><title type='text'>Uma boa noite</title><content type='html'>Está um pouco frio, somos três, eu, Maira, uma brasileira, e Zac, um americano, numa rua de Buenos Aires sem saber sequer o nome do bar para onde vamos. Quem nos deu a indicação do lugar, um tango que não custasse muito nem fosse voltado para turismo, claro, foi outra brasileira. Sarmiento, altura do 4009. Nada mais que isso. Viemos de Subte – o metrô, que assusta um pouco, parece o trem metropolitano de São Paulo com um pouco mais de charme nas estações. Chegamos. Do lado de fora parece fechado. Uma porta velha, um letreiro caindo aos pedaços onde mal se lê: Tango Folklore. Olhamos uns para os outros, ficamos em dúvida, abro um pouco a armação de madeira e vidro que se supõe porta, pergunto ao segurança que parece distante: “Cerrada?” Ele diz que não, aponta para cima. Damos a volta numa escada, o prédio é bem velho. Acertamos.&lt;br /&gt;A construção poderia ter sido demolida há muito tempo. O piso de madeira, bem conservado, mas longe de ser novo, é o que existe de mais preservado. A menina da entrada pergunta se queremos aulas. São dez pesos.&lt;br /&gt;Entramos. Tudo parece muito esquisito. Depois de um espaço vazio onde provavelmente dançaremos, ficam as mesas, recolhidas em algum lixão. Bamboleiam ao toque. As cadeiras tampouco parecem confiáveis. Olhamos no relógio, vinte para onze, e quase ninguém. A noite portenha começa tarde. Dizem que a uma da madrugada começa o show.&lt;br /&gt;Pouco tempo depois, vêm os professores. Absurdamente lindos e charmosos. Ela tem os cabelos castanhos claros, os olhos azuis, a pele branca, o corpo esguio de dançarina. Ele, daquela elegância argentina, também magro, alto. Separam os meninos das meninas, e também os que já sabem algo daqueles que estão começando naquele dia.&lt;br /&gt;A dança é difícil. São oito passos básicos. Tento acompanhar, mas a simples memorização da seqüência me parece impossível. Esquerda, frente, frente, pára. Frente, direita, pára. Trás, trás, pára, esquerda... O colega americano dança melhor, tento copiar algo dele. Depois, tomamos os pares, há umas mulheres da Espanha, Pilar, Raquel (a que me custa entender o nome) muito alegres, que parecem levar mais jeito. Fico feliz em ver que consegui decorar o básico. Sim, aprendi algo.&lt;br /&gt;Cansado, suado, volto para a mesa. Não jantei. Chamo a garçonete, também muito bonita. Só os móveis são feios aqui. Mas há uma harmonia, parece um lugar feito com cacos de uma civilização decadente. Pergunto a ela o que servem de beber e comer. Vinho bom e barato: dez pesos – a garrafa. Pergunta do que gosto de comer. Respondo que gosto de carne e queijo. Ela fecha um pouco a cara. Explica que o restaurante é vegetariano. Aceito uma empanada de queijo e soja, boa também, não tanto como o vinho, verdade.&lt;br /&gt;Maira conhece um argentino muito simpático, Marcelo. Conversamos todos. Falamos de música, aprendo que o tango não é argentino, ou é, ninguém sabe ao certo. Também duvidam das origens da Carlos Gardel, que se dizia uruguaio. Enfim, cada um quer o privilégio de ser o berço do tango. Vemos os casais que dançam bem. São lindos. Um par de músicos tocam inspirados. Com o tempo, vamos mudando de assunto. Até de futebol falamos. Por fim, voltamos ao hostel. Rachamos o táxi, que, ao todo dá 6 pesos, 2 para cada um de nós. Ao chegar, o porteiro pergunta quem somos. Dizemos, entramos, dormimos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761352921707307904-8516942495146008785?l=omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/feeds/8516942495146008785/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761352921707307904&amp;postID=8516942495146008785' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/8516942495146008785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/8516942495146008785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/2007/10/viagem-1.html' title='Uma boa noite'/><author><name>Bugre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15497524348212087363</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761352921707307904.post-5215813075409931338</id><published>2007-09-24T12:09:00.000-07:00</published><updated>2007-09-24T21:37:35.505-07:00</updated><title type='text'>Outro intervalo</title><content type='html'>Outro intervalo... Textos grandes cansam, às vezes. Mas certos filmes ajudam a compreender essa discussão. Hoje revi um deles: A bela da tarde. Aliás, tem uma série de filmes e livros que foram imprescindíveis para mim, como ser humano. Quem quiser, pode tentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A bela da tarde&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Mulholand drive&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Lavoura arcaica, De olhos bem fechados, A excêntrica família de Antônia, Fale com ela, Boogie Nights, O último tango em Paris, Noites de Cabíria, Brokeback Moutain. &lt;/em&gt;Ah, e claro&lt;em&gt;, Lolita&lt;/em&gt;, do Kubrick.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761352921707307904-5215813075409931338?l=omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/feeds/5215813075409931338/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761352921707307904&amp;postID=5215813075409931338' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/5215813075409931338'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/5215813075409931338'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/2007/09/outro-intervalo.html' title='Outro intervalo'/><author><name>Bugre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15497524348212087363</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761352921707307904.post-7026812150356357389</id><published>2007-09-19T09:18:00.000-07:00</published><updated>2007-09-21T06:47:25.124-07:00</updated><title type='text'>A psicologia darwiniana III</title><content type='html'>Este artigo é continuação de uma discussão que começa em A teoria darwiniana I.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro item interessante vem colado abaixo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. For nearly a quarter of a century, criminologists have known about the "age-crime curve." In every society at all historical times, the tendency to commit crimes and other risk-taking behavior rapidly increases in early adolescence, peaks in late adolescence and early adulthood, rapidly decreases throughout the 20s and 30s, and levels off in middle age. This curve is not limited to crime. The same age profile characterizes every quantifiable human behavior that is public (i.e., perceived by many potential mates) and costly (i.e., not affordable by all sexual competitors). The relationship between age and productivity among male jazz musicians, male painters, male writers, and male scientists—which might be called the "age-genius curve"—is essentially the same as the age-crime curve. Their productivity—the expressions of their genius—quickly peaks in early adulthood, and then equally quickly declines throughout adulthood. The age-genius curve among their female counterparts is much less pronounced; it does not peak or vary as much as a function of age. Paul McCartney has not written a hit song in years, and now spends much of his time painting. Bill Gates is now a respectable businessman and philanthropist, and is no longer a computer whiz kid. J.D. Salinger now lives as a total recluse and has not published anything in more than three decades. Orson Welles was a mere 26 when he wrote, produced, directed, and starred in Citizen Kane.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Livre-tradução:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por aproximadamente um quarto de século, criminologistas sabem sobre a “curva da idade do crime”. Em todas as sociedades em todos os períodos históricos, a tendência para cometer crimes e outros comportamentos de risco rapidamente cresce na primeira adolescência, atinge um pico no final desta fase e no começo da idade adulta, para cair rapidamente ao longo dos vinte e trinta, estabilizando-se na meia-idade. Esta curva não está limitada ao crime. O mesmo perfil etário caracteriza qualquer comportamento humano que é público (i.e., percebido por outros parceiros potenciais) e caros (não adquiríveis por todos os competidores). A relação entre idade e produtividade entre os cantores masculinos de jazz, pintores, escritores e cientistas homens – que pode ser chamada de “curva da idade do gênio” – é essencialmente a mesma da curva da idade do crime. Sua produtividade, expressão do seu gênio, rapidamente atinge um pico no começo da vida adulta e igualmente declina conforme a idade. A curva do gênio das mulheres, ao contrário, não atinge picos e varia menos conforme a idade. Paul McCartney não escreve um hit há anos, e agora gasta a maior parte do seu tempo pintando. Bill Gates é agora um respeitável homem de negócios e um filantropista, e não mais um geninho do computador. J.D. Salinger agora vive num retiro total e não publicou nada mais em três décadas. Orson Welles tinha meros 26 quando escreveu, produziu, dirigiu e estrelou Cidadão Kane.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é um dos meus favoritos. Os profissionais, cientistas, artistas e homens de criação em geral tenderiam a não ser mais produtivos depois dos trinta, quarenta anos. Artistas machos. As fêmeas não, essas estariam com a genialidade garantida por toda a vida. Muito conveniente acreditar no destino genético da produtividade dentro dessa sociedade em que o mercado de trabalho fecha as portas para quem tem determinada idade e ainda não subiu na carreira. Enfim... Basta dizer que a tese foi escrita por um economista e encontramos a ponta do iceberg deste raciocínio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curioso que ele nem se lembrou de Steve Jobs, que bem depois dos quarenta inventou o i-pod...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, para não sair muito do meu terreno, vou apenas citar alguns exemplos de escritores, músicos e pintores homens. Fiz uma pesquisa informal. Dos pintores que constam na coleção Grandes Mestres da Pintura, da Folha de São Paulo, quase nenhum produziu mais obras antes dos trinta do que ao longo do resto da vida. E falamos de Kandinsky, Renoir, Dali, Miró, Picasso, Goya. Gauguin, inclusive, só começou aos trinta e três. Era banqueiro e faliu. Van Gogh – protótipo do gênio incompreendido - aprende entre os vinte e sete e trinta anos. Só será o inventor de um estilo alguns anos mais tarde. A grande maioria desses artistas tem várias fases, e absorve os progressos, desenvolve suas técnicas, mesmo bem depois dos cinqüenta. Goya começa clássico, termina antecipando aspectos românticos. Picasso inicia sua carreira num estilo algo impressionista, dá um salto para o cubismo, e vai lapidando uma maneira de pintar pessoal ao longo da vida. O período mais produtivo, original e famoso de Pollock, talvez o maior pintor americano do século XX, foi dos trinta e cinco aos trinta e oito anos - morreu pouco tempo depois. Alfredo Volpi – um dos brasileiros mais inovadores – nunca deixou de produzir. Pelo contrário, sempre foi se aperfeiçoando mais e mais. Não sei sobre quais pintores exatamente a pesquisa lançou o olhar; mas a informação não parece conferir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passamos para o terreno dos escritores e poetas. Os três maiores romancistas brasileiros de todos os tempos – Guimarães Rosa, Graciliano Ramos e Machado de Assis – só começaram a produzir o melhor de sua obra por volta ou depois dos quarenta. O padre Antônio Vieira continuou escrevendo até às vésperas da morte, depois dos oitenta. Escrevendo não, ditando para José Soares, amigo fiel que lhe assistiu à hora da morte. José de Alencar também não parou cedo; não parou, na verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fora os ultra-românticos, que geralmente morriam antes dos trinta, nenhum poeta produziu mais antes dessa idade do que depois. Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes, João Cabral de Melo Neto, Ferreira Gullar, Vinícius de Morais, Manoel de Barros... A primeira obra-prima de Drummond foi publicada quando ele tinha quarenta e três anos. Antes dessa idade, ele compôs poemas para cinco livros; depois, publicou mais de dez. Enfim, como os pintores, a maioria dos grandes poetas vão amadurecendo e melhorando. E ressalte-se que a poesia sempre foi a mais galanteadora das artes... Se há alguma expressão na qual machos deveriam produzir para cortejar parceiras, com certeza seria essa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhando os criadores internacionais, vemos um Nobel interessante em nossa língua. Saramago produziu mais e melhor bem depois dos cinqüenta. Ano retrasado, com oitenta e três, publicou &lt;em&gt;As intermitências da morte&lt;/em&gt;. Sua obra-prima mais premiada, &lt;em&gt;Memorial do convento&lt;/em&gt;, saiu quando ele tinha nada menos que cinqüenta e oito. &lt;em&gt;Ensaio sobre a cegueira&lt;/em&gt; – lançado quando o autor tinha setenta e um – se tornará um filme de Fernando Meirelles no ano que vem. Aliás, Fernando Meirelles é outro artista que começou a fazer o fino de sua arte depois dos quarenta. &lt;em&gt;Cidade de Deus&lt;/em&gt; estreou quando no ano em que completava quarenta e sete; &lt;em&gt;O jardineiro fiel&lt;/em&gt;, quando tinha por volta de cinqüenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando nos debruçamos sobre escritores de línguas diferentes da portuguesa, chegamos a conclusões parecidas. Charles Dickens, Ernest Hemingway nunca pararam de escrever – e também produziram mais depois dos trinta. &lt;em&gt;Ulisses&lt;/em&gt;, obra-prima de Joyce, só saiu quando o autor tinha trinta e nove. Shakespeare começou a escrever peças com vinte e oito anos. De sua vida anterior, pouco se sabe. Cogita-se que tenha sido açougueiro. Na Rússia, Dostoiévsky, um dos maiores romancistas que o mundo já viu, escreveu sua primeira obra de peso – &lt;em&gt;Memórias do subsolo&lt;/em&gt; – aos quarenta e dois anos. &lt;em&gt;Crime e castigo &lt;/em&gt;viria dois anos depois. Também nunca parou de produzir. &lt;em&gt;Irmãos Karamazov&lt;/em&gt;, que muitos críticos consideram seu trabalho mais bem-feito, saiu um ano antes de sua morte. Tolstói tinha nada menos que quarenta e cinco quando começou a publicar em folhetins, durante cinco anos, o gigantesco Ana Karenina, eleito simplesmente o melhor romance de todos os tempos por uma pesquisa realizada entre cento e vinte e cinco autores contemporâneos publicada num livro chamado &lt;em&gt;Top ten. &lt;/em&gt;Na França, Proust tinha quarenta e dois quando publicou &lt;em&gt;No caminho de Swann, &lt;/em&gt;o primeiro da série &lt;em&gt;Em busca do tempo perdido, &lt;/em&gt;que só terminaria quando o autor completava cinqüenta e seis. Gustave Flauber tinha trinta e quatro quando deu ao público seu primeiro livro de peso, &lt;em&gt;Madame Bovary.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também não quero imaginar quais os escritores e poetas a pesquisa levou em conta, mas novamente, a informação soa estranha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, os músicos. De fato, hoje em dia a maioria cria antes dos trinta. Mas não foi sempre desse jeito. Os compositores clássicos, em sua maior parte, produziam mais e melhor com a maturidade. Villa-Lobos compôs as Bachianas quando tinha entre quarenta e três e cinqüenta e oito anos. Vivaldi, Bach, entre outros nomes, criaram sempre, e muito. Os mestres da música erudita só não compunham depois dos trinta quando morriam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fora do terreno da música clássica, temos alguns exemplos recentes. Os maiores da MPB produziram bastante com a maturidade. Caetano Veloso, Chico Buarque, Tom Jobim, para citar três. Seu Jorge lançou seu primeiro álbum aos trinta e um. Roberto Carlos também sempre compôs bastante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há algumas observações, porém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas delas têm a ver com a natureza da produção musical moderna. Em primeiro lugar, o público jovem, principal consumidor de música, geralmente procura mais do que belas canções, quer ver atitude, precisa identificar-se com o ídolo. Clipes bonitos, propaganda, entrevistas, exposição a celebridades e o exemplo dos colegas o educaram nesse sentido. Um cantor mais velho raramente cativará esse elo. Alguns até conseguem, como David Bowie, que além de um compositor de talento (até hoje cria), manteve-se por duas décadas no &lt;em&gt;mainstream&lt;/em&gt; do show-biz. Mas reconheço que se trata de exceção nesse contexto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro ponto importante é que se mede a qualidade da obra pela quantidade de discos vendidos, pelo sucesso, um critério discutível. Preso a isso, sem liberdade de experimentar outros caminhos, o artista esgota as combinações de seu repertório e fica de braços cruzados, ou repete o que já foi feito. Aliás, o repertório, seja em termos de música, seja em termos de qualquer arte, é um terceiro aspecto ignorado nessa discussão. As culturas populares e de massa são um fermento para novas músicas, para a inspiração dos artistas. Porém, têm limite. O compositor esgota uma determinada quantidade de possibilidades conforme vai criando. Se começa cedo e se fecha dentro de influências restritas, o que acontece na maioria dos casos, naturalmente vai ficando sem saída a uma determinada altura da carreira. Isso aconteceu no passado em poesia, num nível coletivo. Depois de poetas grandiosos, que esgotaram as possibilidades da língua, os artistas do mundo grego e romano foram obrigados a explorar outros gêneros, como a lírica, a filosofia. A maioria dos bons músicos fatalmente procura outras influências em determinada etapa da carreira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso dos cantores da segunda metade do século XX, havia possibilidades limitadas. Cada artista criava respondendo à geração anterior, basicamente, e precisava agradar um público afoito por novidades com quem tinha sintonia. No esquema de produção da música clássica, por outro lado, o compositor dispunha de mais repertório e de ouvintes capazes de acompanhar seu amadurecimento. Não existia a idéia de que uma sinfonia fosse boa somente porque agradasse a muitos, mas sim àqueles que fossem maduros e cultos. Independente do juízo que se faça a respeito desse critério, certo ou errado, ele influencia a produtividade do músico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensemos no exemplo dos Beatles. A banda evoluiu claramente ao longo da década de sessenta. Juntos, foram descobrindo soluções inovadoras dentro da música popular britânica, soluções amplamente divulgadas e copiadas. Só que há um limite para a criatividade. Entre Newton e Einsten certamente houve muitos gênios, mas apenas os dois estavam na hora e lugar certos. Do mesmo modo, Paul, Ringo, John e George, além de músicos brilhantes, dependiam da posição que ocupavam no tempo e no espaço para criar de forma inovadora. No começo dos anos setenta, o mundo já havia aprendido com o que eles descobriram. Depois do fim da banda, cada um continuou pelo seu caminho, todos com carreira solo. O problema é que seria muito difícil superar o que já fora feito. Ganha-se na loteria uma vez na vida, e mesmo um artista genial muitas vezes tem uma única oportunidade de materializar esse gênio – conhecimento musical prestes a ser achado. Ele queima-se uma única vez. Não foram só eles que vivenciaram o problema de brilhar muito forte e cedo demais. Muitos músicos, artistas ou atores, sem maturidade para lidar com a questão, sofrem-na de modo terrível, tornam-se caricaturas de si mesmos, tentando alcançar novamente um sucesso impossível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novamente, sucesso não significa boa música, bom livro, boas pinturas. Se for sábio, o artista segue sua trilha sem se importar com o aplauso fácil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto à curva da idade do crime, e sua associação à curva de idade do gênio, é preciso tomar alguns cuidados. Os números quase sempre podem ser entendidos de várias formas. Novamente, lembro a piada segundo a qual se alguém põe a cabeça no forno e os pés no congelador terá uma temperatura no corpo em média agradável. Que a maioria dos bandidos começa cedo? Obviamente. Quem tem os traços psicológicos que facilitam a entrada no crime e vive em condições precárias, geralmente vai começar logo. Isso não significa que se houver uma necessidade, ou em circunstâncias extremas, aqueles que por um acaso tinham a tendência mas mantiveram-se na legalidade não estão mais sujeitos a praticarem atitudes criminosas, só porque têm mais de trinta, quarenta anos. Há muitos casos de homens que matam no trânsito, ou por causa de bobagens em discussões de bar. Claro, eles são em menor número, expõem-se menos, provavelmente têm menos chances de cometer tais atitudes, mas existem, talvez remanescentes que poderiam ter entrado no crime em outra época e de outra forma. Agora, daí associar isso à atividade criadora em geral?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez. Mas também valem alguns cuidados, pois a discussão é bem complexa. Os artistas que produziram depois dos quarenta ressaltam que existe, sim, uma mudança significativa neste período que acontece com os homens - e que pode tanto melhorar quanto piorar a produtividade. Machado de Assis a chama de "idade do medalhão", a partir da qual o &lt;em&gt;boom&lt;/em&gt; criativo dá lugar a uma reflexão mais cautelosa. E eis o ponto: arte não é só criatividade irrefreada para chamar a atenção de todos: consiste num projeto de vida, no qual uma pessoa expressa a visão de mundo de sua geração. A maioria das pessoas, quando chega à meia-idade, realmente passa a tomar decisões mais conservadoras. Se o escritor, pintor, músico não tomar cuidado, e “cair na estrada mais larga” para usar a metáfora clássica, deixará de ter uma visão diferenciada das coisas, deixará de criar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pesquisa possivelmente estudou um grande número de pessoas em várias culturas, partindo do número dos que iniciam a carreira, não dos artistas mais renomados, e chegou à conclusão de que a maioria deles não continua produtiva. Confirmou o bom-senso. Só que a maneira de expor os dados sugeriu algo mais. Os autores têm malícia, colocam os argumentos de modo a induzir o leitor a determinadas conclusões, mas de forma que possam se defender. O texto de divulgação científica desliza insidiosamente da função referencial para a apelativa - vira propaganda. Se objetamos, é facil ouvir um: “Não, não dissemos tal coisa. Em qual frase você viu isso?” A informação sugerida está no nível pragmático da linguagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de afirmarem peremptoriamente que a taxa de produtividade cai rapidamente na idade adulta, citam pessoas famosas, homens de criação tidos como geniais e que, por um motivo ou outro pararam. O texto diz textualmente que pesquisou - &lt;em&gt;male jazz musicians, male painters &lt;/em&gt;(discutível)&lt;em&gt;, male writers &lt;/em&gt;(discutível)&lt;em&gt;, and male scientists&lt;/em&gt;. Ou seja, delimita bem o &lt;em&gt;corpus&lt;/em&gt;; mas na hora de dar o exemplo, extrapola esse mesmo &lt;em&gt;corpus&lt;/em&gt;. Paul não é um cantor de jazz - fez música pop inglesa na década de sessenta; Bill Gates não é um cientista, mas sim um dos empresários mais bem-sucedidos no mundo. Qual a sugestão para o leitor? Vá em frente!, extrapole, aplique esse raciocínio você também. Aplique o raciocínio mesmo se a atividade artística não trouxer grandes riscos para o autor, ou mesmo se as categorias não forem exatamente as mesmas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a argumentação do mal-estar, porque, se encetamos uma discussão, questionando sobre o porquê de Bach, Caetano Veloso, Vivaldi manterem-se ativos até bem depois dos cinqüenta, deixa-se a porta aberta para escapar: "Nossa pesquisa não é sobre música clássica, ou MPB; é sobre cantores de jazz homens." Ficamos um pouco sem jeito, pedimos desculpa e dizemos: "Lerei novamente o seu artigo com mais atenção, devo ter me confundido um pouco." Ou seja, quase uma jogada de marketing para vender gato por lebre ao leitor desatento. Feio para uma publicação que carrega o selo Harvard de qualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que o texto não deixa claro (nem quer): o improviso, a ousadia são fundamentais no jazz , que dependem da constante criatividade alegre de quem toca. Trocando em miúdos - um gênero bem específico de criação. O truque do texto? Pesquisamos músicos (tocadores de jazz são músicos também, ora) - nossas conclusões valem para músicos. Imagino como devem ser os outros recortes de escritores, pintores e cientistas. Francamente, mesmo o bom-senso reconhece que nisso, na alegria de criar, os jovnes são pródigos. Mas onde existe balanço entre criatividade e experiência, a juventude não exerce um papel tão preponderante. Novamente, os cientistas parecem querer provar um modelo que legitima o status quo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bill Gates talvez não invente mais, ou porque não precise e sua criatividade funcione apenas com a pressão, ou porque teve apenas uma boa idéia na vida - quem sabe? Einten também dizia que só teve uma. Steve Jobs, por outro lado, criou a Apple, teve um momento ruim na carreira e deu outra tacada há poucos anos, em idade bem avançada. E uma bela tacada, que mudou a maneira como os jovens ouvem música. Nenhum dos dois é cientista - deveriam estar de fora dessa discussão - mas, mesmo assim, como explicar a diferença? E Saramago, nosso autor que simplesmente é o mais reconhecido em língua portuguesa? E Tolstói? E Villa-Lobos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, nem sempre ser inovador ou produtivo significa demolir a sociedade. A arte trata de muitas questões de que a religião cuidava no passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez a tese, no fundo, seja estatisticamente relevante; a maioria dos artistas deixe de produzir conforme os anos passam. Porém, a maneira como é colocada tem fins claramente políticos, sugere demais, quer consolidar a visão de que “se você não é um vencedor até os trinta, quarenta, pode deixar os sonhos de lado e ir fritar hambúrgueres.” Ou, pior, dizer "Se você é um artista, prestaremos atenção somente no que produzir até determinado ponto. Quando amadurecer, já não nos interessa." A juventude é pródiga em encontrar novas soluções, mas carece de senso crítico. Os empresários sabem disso muito bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, cogitar elementos genéticos no comportamento humano não significa desprezar infantilmente todos os sociais, nem fazer propaganda em vez de ciência a fim de atacar a facção dos antropólogos que pesquisam influências culturais. Atrelar a produtividade de um artista exclusivamente à juventude é, no mínimo, discutível – até porque ela não se compõe só de criatividade, e sim, muitas vezes de maturidade e visão de mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, principalmente, a divulgação poderia ser mais criteriosa e menos apelativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caso contrário, a leitura desse tipo de "ciência" precisa de muitas, muitas ressalvas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761352921707307904-7026812150356357389?l=omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/feeds/7026812150356357389/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761352921707307904&amp;postID=7026812150356357389' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/7026812150356357389'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/7026812150356357389'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/2007/09/teoria-darwiniana-iii-depois-dos-trinta.html' title='A psicologia darwiniana III'/><author><name>Bugre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15497524348212087363</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761352921707307904.post-1254680407118655969</id><published>2007-09-18T04:56:00.000-07:00</published><updated>2007-09-20T15:37:34.733-07:00</updated><title type='text'>A psicologia darwiniana II - preferir loiras, peitudas, e de olhos azuis é genético?</title><content type='html'>Esse é o segundo artigo de uma série. Para acompanhar a discussão, leia 'A teoria darwiniana I'.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou comentar dois artigos da reportagem que mostram pontos falhos na argumentação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) Men like blond bombshells (and women want to look like them) Long before TV—in 15th- and 16th- century Italy, and possibly two millennia ago—women were dying their hair blond. A recent study shows that in Iran, where exposure to Western media and culture is limited, women are actually more concerned with their body image, and want to lose more weight, than their American counterparts. It is difficult to ascribe the preferences and desires of women in 15th-century Italy and 21st-century Iran to socialization by media.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Livre-tradução:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) Os homens gostam de novidades loiras (e as mulheres querem se parecer com elas) – Muito antes da TV – nos séculos 15 e 16 na Itália, e possivelmente dois milênios atrás – mulheres pintavam seus cabelos de loiro. Um recente estudo mostra que no Irã, onde a exposição à cultura ocidental é limitada, mulheres estão de fato mais preocupadas com sua imagem corporal, e querem perder mais peso, que suas contrapartidas americanas. E é difícil atribuir as preferências e desejos das mulheres do século 15 italiano, ou as do Irã, à socialização via mídia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda bem que num rasgo de humildade, ele especifica que “possivelmente” há dois milênios as mulheres tingiam seus cabelos de loiro. Até porque, pela maneira com que as palavras aparecem, temos a nítida impressão de que será revelado um achado científico de primeira, uma tumba grega com um corpo cujas madeixas contêm restos de tinta. Soa esmagadora a frase: “dificilmente é possível atribuir as preferências e desejos da mulher na Itália do século XV e do Irã do século XXI à socialização via mídia.” Realmente, é muito difícil tal atribuição. Mas quem fez isso? Há um erro nesse raciocínio. Uma falácia. Atribuir um gosto estético a fatores sociais não significa necessariamente atribuí-lo às influências da mídia moderna. Houve milhares de sociedades sobre a terra, não apenas a nossa. Mas o clichê convence.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente devo lembrar que a sociedade italiana sofreu uma razoável miscigenação, principalmente no sul (mais pobre). Durante o quattrocento, as pessoas da Sicília tendiam a ser mais morenas, enquanto os venezianos, milaneses e habitantes de outras cidades do norte tinham cútis, cabelos e olhos mais claros. Eram mais ricos também. Ainda hoje, parece que as coisas continuam assim por lá. Sul pobre, norte rico. Natural para uma moça querer ter cabelos loiros e olhos azuis, índices de status. Afinal, as moças precisavam de dote para valer alguma coisa em nossa tradição – sem grana, sem casamento. No Irã de hoje, por outro lado, a exposição limitada à mídia não impede que ela exista, ainda que de forma indireta. Os pobres sempre copiam os ricos. Difícil afirmar que a classe dominante desse país não admire em segredo as mulheres americanas, que os meninos não façam circular playboys proibidas, que as moças não leiam nenhuma revista adolescente contrabandeada. Enfim, os dois exemplos bem suspeitos de “culturas diferentes” da nossa comprometem um pouco a argumentação, para dizer o mínimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim o autor prossegue. Diz que os homens preferem mulheres mais jovens e repete a história sobre medidas ideais entre quadril e cintura. As proporções corporais são indícios da feminilidade e masculinidade de um corpo desde o tempo dos gregos. Disso parece não haver dúvidas. Quanto à tara pelas meninas mais jovens, a preferência vale sobretudo para homens mais velhos, que perseguem lolitas. O texto não diz isso, apenas afirma que todos os homens sempre gostam das meninas mais jovens. Voltaremos a comentar o argumento mais tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os seios é que são discutíveis. Nem sempre o padrão são medidas generosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;But Harvard anthropologist Frank Marlowe contends that larger, and hence heavier, breasts sag more conspicuously with age than do smaller breasts. Thus they make it easier for men to judge a woman's age (and her reproductive value) by sight—suggesting why men find women with large breasts more attractive.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trad. livre: Mas o antropologista de Harvard, Frank Marlowe, defende que seios maiores e, portanto, mais pesados, caem mais com a idade do que fazem os menores. Assim, eles facilitam para o homem julgar a idade da mulher (e seu valor reprodutivo) pela vista – sugerindo por que os homens acham mulheres com seios maiores mais atraentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trata-se de uma “honestidade biológica” para que o homem avalie o valor da fêmea – que evidentemente decresce de forma brutal com a idade. A mulher de seios grandes costuma ter uma série de problemas, menor mobilidade, problemas de coluna, e tudo o que conta em termos evolutivos é a averiguação masculina da idade do material? Quer dizer, há diversos indícios sobre a idade de uma mulher, flacidez da pele, rugas, cabelos brancos, perda de dentes, traços psicológicos, dilatação da vulva depois do primeiro parto, acúmulo de gordura em determinadas regiões, perda do brilho da esclerótica, perda do viço e maciez do cabelo, dentre outros. Mesmo assim, soa convicente dizer que seios grandes servem de teste visual sobre a idade fecunda da mulher e pronto! esse passa a ser o determinante principal do gosto por seios grandes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Francamente... Há culturas que os preferem grandes e caídos, pequeninos e durinhos, apontados para cima. No Brasil mesmo, até o final da década de 80, nossas principais musas geralmente não tinham seios grandes: Malu Mader, Sônia Braga, Maitê Proença, Leila Diniz (mais antiga), todas com busto pequeno. Há uma tribos africanas que os preferem grandes e caídos (o que simplesmente desmonta o argumento). Além do que, os genes não funcionam assim, não “pensam” no bem coletivo da espécie. Quem leu teoria evolucionista sabe que, dentro de uma população, cada qual quer prosperar e ponto. Os genes do desejo masculino querem selecionar as mulheres em idade fértil, não as mulheres que tenham seios que sirvam de medidores, indicando pequena ou grande idade. São coisas diferentes. Se alguém se beneficia em mostrar juventude, é a mulher. Só que um seio que cai mais rápido pode ser prejudicial para ela. Não faz sentido o argumento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, o raciocínio de que quanto mais jovem a mulher, mais interessante ela fica porque tem mais partos potenciais pela frente só se torna verdadeiro quando o macho a domina a vida inteira. Talvez não fosse o caso. É claro que o argumento carrega uma força imensa, mas há o que se relativizar. Quem garante que havia monogamia na pré-história? Se as mulheres trocassem de parceiros algumas vezes na vida, uma de vinte, com sua experiência de dois ou três partos, poderia ser mais interessante para um investimento genético que uma de catorze. A primeira gravidez é difícil e costuma trazer maiores riscos. Além de saber tratar melhor das crianças e tomar decisões mais acertadas, uma moça madura tem a prova de que está apta para ter filhos, o que nem sempre é o caso com moças virgens, por mais belas que sejam. Enfim, pressupõe-se que poucos anos de vida sempre é melhor. Há um balanço entre juventude e maturidade que se põe de lado: talvez na selva, juventude temperada com certa experiência fosse o mais atraente. Olha-se a vida do paleolítico, por coincidência, do mesmo modo que fazemos em nossa sociedade de hoje: valorizando as ninfetas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o artigo não pára por aí. Ele esboça uma teoria para a cor dos olhos azuis usando um argumento parecido com o que se pensou para os seios. As pessoas de todos os cantos do globo tenderiam a achar mais atraentes olhos claros porque eles espelham melhor as emoções do dono. Claros não, azuis – apesar de os verdes terem um efeito parecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui vou explicar algumas coisas, baseado no que Pinker diz em seu livro – &lt;em&gt;Como a mente funciona&lt;/em&gt;. A demonstração do que sentimos é incontrolável em certa medida, pois fica estampada em nosso rosto involuntariamente. Segundo o autor, as mudanças causadas em nossa face em função das emoções valem por crédito da parte de quem está sentido perante os outros. Explico. Se pudéssemos controlar voluntariamente os músculos que expressam alegria verdadeira, tristeza, pesar, desconfiança, etc., ninguém confiaria em nós. Como é muito complicada a contração das dezenas de músculos para simular esses sentimentos, ela vale por caução. Quem observa a mocinha corar, tem uma boa pista a respeito de sua sinceridade, o que geralmente é bom para ela também. Nossas expressões faciais seriam um grande nariz de Pinocchio que a natureza nos colocou para que disséssemos a verdade e as pessoas acreditassem nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fundamental para um animal que vive em grupo. Teoria interessante. Segundo nossos pesquisadores, os olhos claros facilitariam a averiguação de um desses dados. Aí o nosso sinal de pensamento crítico acende. Loiras, peitudas, e de olhos azuis – tudo genético? tudo determinado desde as cavernas? Por essa linha de raciocínio, os negros seriam horrorosos mesmo. Pele escura – não coram, mostram menos sinais de envelhecimento – carapinha quase nunca loira, olhos escuros. Bem que o título falou que se tratavam de verdades politicamente incorretas... Faltou falar da forma do crânio dos brancos. Em que aspecto será que o dolicocéfalo é mais atraente? Ou mais apto para o pensamento superior?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que as coisas não são tão simples assim – quanto mais verdadeiro, melhor. Os genes lutam para se reproduzir mais e mais. Há um equilíbrio entre mostrar e esconder os sentimentos, fundamental na convivência humana. Nesse jogo, fazendo experiências para balancear-se, a natureza opera. Se aparece algum indivíduo capaz de trapacear os sentimentos, ele leva vantagem. Ponto. Um pouco de mistério pode ser atraente para os genes também. Não gostaria de ter filhos incapazes de esconder os sentimentos. Dar garantias demais ou de menos prejudica. Se não fosse assim, a natureza nos faria simplesmente incapazes de mentir. Mas as paixões não nos dominam sempre. Um ator conhece técnicas para simular dor, ansiedade, placidez. A mocinha que cora pode estar fingindo – trata-se de um talento raro, mas que a coloca em vantagem efetiva – muitos marmanjos da pré-história lutariam para agradá-la. Quem afirma com certeza até que ponto a evolução de um conjunto de genes julga atraente exibir ao máximo os sentimentos de seus portadores? E, pior, que os genes de um homem, por exemplo, prefeririam um descendente incapaz de mentir? Nesse sentido, ter olhos negros pode ser uma vantagem tanto quanto uma desvantagem. Se não sugere sinceridade e transparência, lembra cautela e proteção. Além do que, os negros, morenos, japoneses e afins teriam outras formas de espelhar envelhecimento e as emoções além das rugas, cabelos loiros e pupilas dilatadas. Lábios grossos e flácidos, olhos mais amarelados conforme os anos passam (e que contrastam muito mais com a pele escura), etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, toda essa evolução começou na África, possivelmente sem loiras, nem olhos azuis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota: Incomoda bastante uma certa falta de delicadeza por parte de quem formula essas teorias. Nem se colocaram as ruivas no debate... O ser humano é um bicho contraditório, que pode ter vários gostos insubstituíveis um pelo outro. Por exemplo, uma mulher de seios pequenos, magrinha, sugere delicadeza, fragilidade; diferente de uma peituda, que sugere fartura, uma beleza mais animal. Gosto dos dois tipos de um modo insubstituível. Se visse apenas seios grandes, sentiria falta dos corpos de sílfides, e vice-versa. Do mesmo modo, até o publicitário tem cuidados na hora de escolher a cor dos olhos do modelo: propagandas de chocolate, por exemplo, sugerem olhos castanho-claros. Uma personagem mais humilde lembra olhos castanhos; uma altiva, azuis. Enfim, não é só questão de "gostar mais". Há um erro nesse raciocínio hipercompetitivo. É como se pudéssemos colocar numa balança cada tipo de beleza e atribuir-lhe um valor absoluto sempre. Claro, existe algo que chamamos de belo - proporção, simetria - e que a psicologia darwiniana veio confirmar. Porém, cor de cabelos e olhos, acho um pouco demais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761352921707307904-1254680407118655969?l=omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/feeds/1254680407118655969/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761352921707307904&amp;postID=1254680407118655969' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/1254680407118655969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/1254680407118655969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/2007/09/teoria-darwiniana-ii-loiras-peitudas-e.html' title='A psicologia darwiniana II - preferir loiras, peitudas, e de olhos azuis é genético?'/><author><name>Bugre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15497524348212087363</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761352921707307904.post-8645465733607762668</id><published>2007-09-17T11:06:00.000-07:00</published><updated>2007-09-17T11:07:21.120-07:00</updated><title type='text'>Alguns vídeos para relaxar</title><content type='html'>Mais um vídeo para relaxar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é uma banda com personalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=bWW8jnTQBYI&amp;amp;NR=1"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=bWW8jnTQBYI&amp;amp;NR=1&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761352921707307904-8645465733607762668?l=omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/feeds/8645465733607762668/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761352921707307904&amp;postID=8645465733607762668' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/8645465733607762668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/8645465733607762668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/2007/09/alguns-vdeos-para-relaxar.html' title='Alguns vídeos para relaxar'/><author><name>Bugre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15497524348212087363</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761352921707307904.post-2776696116010870600</id><published>2007-09-17T10:33:00.000-07:00</published><updated>2007-09-17T10:41:10.945-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Depois de um texto longo, um pequeno break - mas nem tanto.&lt;br /&gt;Olha o que achei entre os vídeos do Nil.&lt;br /&gt;Fantástico! Abração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=KfTovA3qGCs"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=KfTovA3qGCs&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761352921707307904-2776696116010870600?l=omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/feeds/2776696116010870600/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761352921707307904&amp;postID=2776696116010870600' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/2776696116010870600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/2776696116010870600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/2007/09/depois-de-um-texto-longo-um-pequeno.html' title=''/><author><name>Bugre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15497524348212087363</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761352921707307904.post-9071385097888563786</id><published>2007-09-16T19:42:00.000-07:00</published><updated>2007-09-20T15:34:36.895-07:00</updated><title type='text'>A psicologia darwiniana I</title><content type='html'>Dia após dia somos bombardeados com artigos de divulgação científica que teoricamente provam isto ou aquilo sobre a natureza universal do homem, deturpando a linha de pesquisa da psicologia darwiniana de Cosmides com fins políticos para divulgar baboseiras e preconceitos a título de ciência. Você provavelmente já leu ou assistiu a algo na linha da psicologia darwiniana. Na televisão, o programa Fantástico, da Rede Globo, exibiu há tempos uma série de divulgação científica interessante, protagonizada por Lázaro Ramos e que se chamava &lt;em&gt;Instinto humano. &lt;/em&gt;Em geral, esses textos tentam rastrear como o ambiente das cavernas moldou o nosso comportamento, abstraindo os dados culturais, o que é uma novidade, visto que as ciências sociais consideravam a cultura o principal dado que formava o indivíduo. Alguns são realmente interessantes e consistentes, oferecendo novas hipóteses para vermos o comportamento humano: Por que os homens aceitam o sexo sem compromisso mais facilmente que as mulheres? A repulsa ao incesto é uma interdição apenas cultural? Por que os irmãos tendem a ser rivais? Outros, por sua vez, tentam fazer o leitor engolir opiniões, especulações, padrões estéticos, entre outros, de fundamento questionável, deturpando um pouco a função da ciência. Por exemplo, afirmam que o fato de os homens preferirem de loiras de olhos azuis está escrito nos nossos genes. Trata-se de uma teoria, que um dia pode ser comprovada pelo estudo exaustivo dos genes. Mas aparece num artigo entitulado "Dez verdades politicamente incorretas sobre o ser humano".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece um exercício inocente de raciocínio aplicado. Mas não é. Além de aparentemente decifrar o nosso destino biológico, esse tipo de divulgação transmite mensagens importantes no plano ideológico; não é à toa que vem sendo usada com fins políticos. Duas mensagens que aparecem debaixo desses artigos são, principalmente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) a concepção de ética, respeito e dignidade humana fica em segundo plano;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) a sociedade ocidental é o destino genético do ser humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, os estudiosos de humanas desligam o senso crítico e viram as costas para esses textos. É um erro. A linha de pesquisa tem muita razão, descobriu coisas importantes. Dificilmente conseguimos ser levados a sério apenas com a ciência feita antes deles. Dizer que o comportamento humano se determina só devido à sociedade, hoje, repete um modelo científico pouco prestigiado e caduco. Ninguém consegue ter uma visão decente do homem no começo do século XXI sem computar as descobertas psicológicas dessa escola tão reconhecida nos anos noventa e que vêm sendo deturpadas pela mídia de direita. Ao invés de simplesmente fechar os olhos para essas pesquisas, precisamos separar o que se diz de coerente do que se diz de bobagem. Precisamos subverter a argumentação deles com melhor argumentação; ou pelo menos questionar a direção dos estudos. Mas, principalmente, enxergar a fundo por que boa parte dessa literatura de divulgação, além de pseudo-científica, cultiva um imaginário preconceituoso e conformista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O artigo intitulado &lt;em&gt;Ten politically incorrects truths about human nature&lt;/em&gt; (&lt;a href="http://psychologytoday.com/articles/pto-20070622-000002.xml"&gt;http://psychologytoday.com/articles/pto-20070622-000002.xml&lt;/a&gt;) ilustra bem o que quero dizer. Só no título vemos que se trata de algo travestido de ciência. Altamente pretensioso, mostra a que veio desde o começo. Dez verdades politicamente incorretas sobre a natureza humana... Então a ciência deixou de veicular teorias, modelos, e agora passa a nos dar ‘verdades’? Desde quando isso? Um artigo científico que honra a função jamais escreveria semelhante gafe, ainda mais no título. Soa a propaganda, não a dissertação. Os modelos científicos caem a cada década; a teoria de Einsten, ícone das descobertas, é constantemente bombardeada por diversos pesquisadores que tentam aperfeiçoá-la mais e mais. Nunca dissemos "A verdade da relatividade", mas sim "A &lt;em&gt;teoria&lt;/em&gt; da relatividade&lt;em&gt;", &lt;/em&gt;muito menos "A verdade da seleção das espécies", por mais que fosse e que seja uma teoria contra a qual praticamente não dispomos hoje de argumentos&lt;em&gt;. &lt;/em&gt;Estamos engatinhando ainda nas pesquisas genéticas, mal sabemos quais as funções de cada gene individualmente, quanto mais em conjunto, interagindo em complexas cadeias de proteínas dentro de um ambiente celular ainda longe de ser compreendido na íntegra, e um artigo desse diz que traz 'verdades' sobre a nossa natureza genética... Ainda por cima, verdades politicamente incorretas. Algo cheira mal nisso tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por um lado, essa ausência de base tem seu lado bom: ao menos, sabemos que não se trata exatamente de ciência, mas de uma mistura estranha de discurso do destino manifesto, pesquisas direcionadas a provar certas verdades, e opiniões, muitas opiniões. Tranqüilizemo-nos por ora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, ainda que se tratasse de ciência, cautela nunca faz mal. Sobram exemplos de pesquisas e teorias que foram usadas com finalidades políticas no passado. Superioridade da raça ariana, proibição de maconha contrastando com a liberação e propaganda do álcool, só para citar dois casos. Sobre o nazismo, fascismo e outros fenômenos políticos relacionados à teoria das diferenças raciais, felizmente posso não dizer nada – todos conhecemos muito bem as conseqüências de uma visão onde o resto do mundo é “naturalmente” inferior. No caso da cannabis, a revista &lt;em&gt;Superinteressante&lt;/em&gt; afirma textualmente que os experimentos “demonstrando” a queima de neurônios que a erva causa entupiam ratinhos de laboratório com doses suficientes para dopar elefantes. A proibição traiu intenções claramente políticas, tal qual a perseguição contra a capoeira e o candomblé no Brasil: fornecia às forças repressoras motivos para manter sob constante repressão negros e mexicanos. Agora, levando em conta que as pesquisas de laboratório carregam o perigo de “provarem” teses convenientes para as classes dominantes, imaginemos o que acontece quando a ciência fica livre dessa carga, isto é, quando se pode dar ao luxo de proclamar “verdades” sobre a natureza humana com base em estudos que olham principalmente para o nosso mundo, onde há pouca diversidade cultural significativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque, se pelo menos acontecessem no século XV, quando existiam antropófagos na América do Sul, quando uma sociedade matriarcal sem influências ocidentais, dividida em castas povoava boa parte da Índia; quando povos Maias com sacrifícios religiosos viviam na América Central; quando, enfim, mitos únicos eram cultivados entre os índios da América do Norte; se fosse nessa época que a coleta de dados se realizasse, talvez aí esse tipo de pesquisa provasse algo. Mas hoje? que praias ainda não conhecem o sangue americano? Acontece turismo (exploração comercial e sistemática) da cultura no Oriente Médio, no Japão, na Índia; os Tupis, os Incas e os Maias foram praticamente extintos; as tribos brasileiras que restam, por exemplo, no centro da Amazônia, vestem calção, assistem à televisão, compram jipes. Algumas recebem visitantes. Do que estamos falando quando abstraímos a cultura? O que há para provar nossas “verdades”? Num mundo que se encaixou totalmente no esquema capitalista movido pelo Ocidente, as diferenças culturais tendem a se apagar. Auerbach diz, já no começo do século XX, que não havia duas sociedades que se podiam chamar de diferentes sobre a terra. Quem não se encaixou no esquema do capitalismo global, ou foi forçado a abrir seus portos, como aconteceu com Japão, "convidado" a fazer comércio com os Estados Unidos, ou simplesmente massacrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, o cientista chega a uma tribo do Oceano Pacífico, ou da Amazônia, teoricamente isolada do resto da humanidade, para sua pesquisa. Os nativos muitas vezes praticam comércio com outros povos, usam nossa moeda, alguns, televisão na oca. Exportam turismo. Que raios de culturas diferentes são essas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de que, os pesquisadores saem de casa geralmente &lt;em&gt;querendo&lt;/em&gt; provar uma tese. Se não tomarem cuidado, o trabalho toma um rumo tendencioso. A lingüística gerativa enfrenta um problema parecido. Os princípios dessa corrente são semelhantes aos da psicologia darwiniana: segundo o que, a língua é um aparato genético em que a cultura tem alguma influência limitada. Uma piada comum diz que a maioria dos modelos olha para o inglês, explica razoavelmente muitas línguas, e esbarra no chinês. Depois de quase quarenta anos, Chomsky reformulou radicalmente sua teoria, numa reforma conhecida como minimalismo. Sempre levando em conta os dados empíricos das línguas.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aí chegamos ao ponto. Não temos &lt;em&gt;corpus - &lt;/em&gt;campo de experimentação - para comprovar muitas novas hipóteses que chegam a cada dia nos jornais como novas "verdades". Vou dar um exemplo da fragilidade que isso cria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Steven Pinker, divulgador da psicologia darwiniana, em &lt;em&gt;Como a mente funciona&lt;/em&gt; coloca uma tese interessante sobre a alimentação humana. Ele diz que na primeira infância aprendemos a comer as classes de vegetais e animais que os mais velhos nos apresentam como alimentos, e que aquilo que fica de fora desse primeiro rol sempre nos parecerá repulsivo, ainda que um pouco. Quando adultos, teríamos dificuldades para ingerir gafanhotos, ratos, baratas sem uma pontinha de nojo. Trata-se de um truque adaptativo interessante: se não fez mal para os pais, provavelmente não matará os filhos. Assim, os mais novos seguem o exemplo dos mais velhos nesse terreno, como na língua. Muitos indianos têm dificuldades reais para ingerir carne vermelha, que consideram repulsiva. Se, depois de comermos um bife delicioso, descobrirmos que se tratava de um menino de dez anos frito, possivelmente vomitaremos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ponto é que hoje ainda há lugares onde se comem gafanhotos, rãs, ratos, cachorros. Mas a cada dia, o estilo ocidental de alimentação se expande. Pão, carne vermelha, massa, batatas. Quando não houver gente comendo vermes e insetos, será que os produtores de gado vão financiar a publicação de uma tese sobre o nosso destino genético na alimentação ser a carne vermelha? Ou os fazendeiros de soja farão o mesmo antes, ressaltando as qualidades do vegetal? Difícil definir. Não temos muitos tabus na alimentação, ao contrários dos orientais, mas no terreno do sexo, cultura e estética vem-se publicando praticamente de tudo: os negros transam melhor desde o tempo das cavernas, os homens preferem as loiras de olhos azuis com peitos grandes, a maioria dos homens-bomba são árabes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A melhor forma de mentir, sabemos, é misturar verdades e bons argumentos ao que queremos impingir. A idéia de que existam fatores do comportamento humano determinados geneticamente é forte e hoje, quase certa. Os intelectuais de humanas não podem simplesmente virar as costas para isso tudo e dizer que nosso comportamento se baseia somente na cultura onde vivemos. É infantil, esconde o ponto-chave da questão e entrega o assunto de bandeja. E qual é o ponto-chave? Não se faz ciência sem &lt;em&gt;corpus&lt;/em&gt;, sem evidência, apenas com números. É falacioso. Uma piada afirma que se uma pessoa enfiar a cabeça no forno e os pés no congelador, terá uma temperatura média agradável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre se corre o risco da deformação ao lidar com estatística: nunca sabemos o que o pesquisador &lt;em&gt;quer&lt;/em&gt; provar. Muitas teses são exercícios de retórica com números. Há tentativas brilhantes, teorias fantásticas nesse sentido, realmente admiráveis. Só que mesmo o cientista mais isento cai no pecado de ser parcial, vai tentar provar sua visão particular de como deveria ser a espécie humana no paleolítico. Quando há interesses econômicos envolvidos nesse debate então...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem aspectos do comportamento que foram deixados flexíveis pela natureza, para que a cultura os determinassem até certa idade, como a alimentação, partes das estruturas lingüísticas, algumas relações de parentesco. Outros, parecem inatos, como as expressões de raiva, amor, ciúme, inveja, a aversão ao incesto. Com base apenas em hipóteses, e olhando para o nosso mundo, de uma cultura só praticamente, como definir com precisão até onde uma preferência sexual está entranhada em nossos genes? Por mais interessantes que sejam, essas hipóteses só vão se tornar verdades no dia em que decodificarmos completamente o dna. Mesmo aí, deveremos questionar quem divulga os dados. Mas, até esse dia, quando todas as dúvidas serão desfeitas (?), insisto: precisamos tomar cuidado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse tipo de divulgação científica convenientemente "se esquece" da discussão sobre ética, fundamental nesses casos. Na verdade, geralmente elas em si são antiéticas, porque colocam como achados dados provados por métodos discutíveis. Nem todos os cientistas concordam que essas especulações e estatísticas podem eliminar as dúvidas sobre nossa natureza genética. Assim, há o risco enorme de essas publicações construírem preconceitos e deixarem como fato consumado um novo imaginário social, uma forma de pensamento dentro da qual questões éticas são um choramingar inútil. Afinal, se "sabemos" que o homem geneticamente é deste ou daquele jeito, para quê discussões estéreis sobre certo, errado, ricos, pobres, cidadania, respeito? Nem se querem essas discussões. Tudo isso entra como elementos da única coisa que realmente pode interessar um vencedor nessa nova ordem de coisas: dinheiro e poder. O certo é o que faz vencer. Má leitura da psicologia darwiniana com intenções discutíveis. Pinker alerta para essa falácia: o fato de os genes serem egoístas e quererem vencer não significa que os homens precisem ser assim. Às vezes, um comportamento altruísta é o que garante a sobrevivência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo visto, há pessoas que precisam ler mais &lt;em&gt;Crime e castigo&lt;/em&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo, muito dessa discussão é uma variante do raciocínio que separa eleitos de perdedores. Em vez de dizer que Deus escolheu quem irá para o céu ou o inferno desde o nascimento, agora esses novos porta-vozes do calvinismo falam em determinação genética para separar o lixo da elite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, o funcionamento dos genes é muito, muito complexo mesmo, e pode enganar as especulações mais coerentes. O dna inter-age com o mundo, não somente o determina. Desde as primeiras divisões celulares, até a densidade de alguns elementos químicos, que flutuam ou afundam dentro da primeira célula influi na especialização posterior dos tecidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem se aventura, ou tem convicções sólidas nesse terreno precisa tomar cuidado. Afinal, foi o a unanimidade dos cientistas sobre o fato do cérebro humano teoricamente ter se desenvolvido antes do rosto que deu ensejo ao inesquecível homem de Piltdown – a maior farsa da história dos estudos da evolução - e que durou mais de trinta anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, penso ser um pouco cedo para “verdades”. No mínimo, esse tipo de divulgação deveria dizer o que veicula: especulações e hipóteses, algumas melhor fundamentadas que outras.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761352921707307904-9071385097888563786?l=omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/feeds/9071385097888563786/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761352921707307904&amp;postID=9071385097888563786' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/9071385097888563786'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/9071385097888563786'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/2007/09/as-teorias-darwinianas-i.html' title='A psicologia darwiniana I'/><author><name>Bugre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15497524348212087363</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761352921707307904.post-2058132396347732370</id><published>2007-06-06T11:33:00.000-07:00</published><updated>2007-06-06T11:35:24.898-07:00</updated><title type='text'>SILÊNCIO PERVERSO</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Em certos debates, algumas posições se constroem mais com silêncios do que com motivos razoáveis. Seus argumentos costumam desviar o foco da discussão para outro ponto, geralmente distante do mundo real. Isso acontece quando tratamos de assuntos delicados, que determinadas pessoas gostariam de esquecer em vez de solucionar, principalmente porque, na maioria dos casos, não são essas pessoas que se sentem diretamente envolvidas com o problema.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;No Brasil, as políticas de inclusão social do negro são um exemplo disso. Quem argumenta contra elas, ao criticá-las geralmente cala pontos cruciais do debate, construindo assim uma retórica de silêncio e veneno.&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Uma primeira maneira de contestar as políticas de inclusão racial é dizer que elas estimulariam um racismo dentro das instituições – principalmente universidades -, criando duas tribos: a dos brancos, que entrariam por “mérito” – como se o vestibular, ou os processos seletivos das empresas fossem justos -, &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;versus a dos negros, que, “incapazes”, precisariam da ajuda do governo para ocupar uma vaga. O que essa gente não diz é que, em primeiro lugar, a “injustiça” já existe desde antes do vestibular: o negro sempre freqüentou as piores escolas, sempre teve os piores empregos, sempre foi, em média, mais vezes parado pela polícia, sempre morou nos piores bairros. Além disso, supor que a medida criaria um racismo sugere que ele não exista, ou que exista em doses muito pequenas, o que faz rir. Na verdade, os brancos não o sentem na pele, com o perdão do trocadilho, e nem o querem sentir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Mas basta ir a um shopping, e qualquer um que saiba contar verá quantos brancos são vendedores e quantos negros limpam o chão. Os dois tipos de emprego não requerem escolaridade. Para se dar bem nas vendas, uma pessoa precisa basicamente de carisma e habilidade persuasiva, além de uma terceira prenda, a tal “boa aparência”. Se supusermos razoavelmente uma eqüidade no número de pessoas com os dois primeiros talentos nas três raças, chegaremos à conclusão de que os negros são quase todos feios. Mas – e aqui invocamos a famigerada “ciência”, amiga querida daqueles que gostam de afirmar que as raças não existem – pesquisas demonstram que os únicos critérios universais de beleza são estatura, simetria facial e algumas proporções. De resto, diferenças culturais. Atingimos, então, um ponto que ninguém gosta de abordar: achar o negro feio é uma forma inconsciente de racismo. E as coisas se encaixam bem, pois constatamos que, num país como o nosso, onde a maioria da população tem ascendentes afros, a principal modelo internacional é loira de olhos azuis. O mundo anglo-saxão, ainda que criticado por suas medidas “racistas” de inclusão, tem lá a sua Naomi Campbell.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;    &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Outra contestação às políticas inclusivas consiste em apelar para a santa educação de base, solução universal de todos os problemas do mundo moderno. Violência? Mais escolas. Desemprego? Mais escolas. Racismo? “Se as escolas”, dizem, “se as escolas públicas fossem tão boas quanto as particulares, os negros poderiam concorrer com os brancos em pé de igualdade nos vestibulares. A verdadeira solução para o racismo só ocorrerá a longo prazo. Mais escolas!”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Sim, talvez isso seja até verdade. Mas nunca, em toda a história do Brasil, as escolas serviram para incluir os negros. E estão muito longe de caminhar nesse sentido. Isso também ninguém gosta de falar abertamente, todo mundo convenientemente cala. Ou seja, usar esse argumento é fugir do ponto central da questão. Equivale a, num debate sobre o terrorismo, propor a “escolarização” dos árabes: funciona no plano teórico, apenas.&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Outros torcem o nariz para as medidas efetivas de inclusão racial tentando relativizar o conceito de raça. Afinal, para que raças? Principalmente no Brasil, onde todos somos frutos de uma miscigenação ancestral. Num país como o nosso, onde cada um tem um quê de mistura em seu sangue, perguntam essas pessoas: o que seria exatamente um negro? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Provavelmente ilusão de ótica. O racismo está tão recalcado em todos, que a maioria dos negros nem se define assim. Mas, por uma coincidência dessas que ninguém explica, a polícia mata mais justamente um determinado tipo físico, geralmente com cabelo “pixaim”, nariz “chato”, “beiço” grosso, e tom de pele variando do pardo ao negro, passando pelo “bom-bom”. Aliás, também por causa de uma coincidência, dessas inexplicáveis, na própria ficha criminal há um campo em que a cútis é identificada: branca, parda – ou negra. Isso também ninguém nunca diz. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Ou seja, na hora de prender, a constituição permite que a polícia diferencie o sujeito em função da cor da pele. Já na hora de corrigir uma injustiça social, fala-se em “crime”, “discriminação terrível”, “aberração”, e apela-se para aquele velho discurso do “deixa-disso”, dentro do qual somos “todos iguais”, frutos de uma “grande mistura”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Curiosamente, &lt;st1:personname productid="em S￣o Paulo" st="on"&gt;em São Paulo&lt;/st1:PersonName&gt; – justamente onde a mistura é menor – o discurso se repete bastante. Mas foi há mais ou menos três ou quatro gerações que os imigrantes vieram para compor, junto com os portugueses que aqui viviam, o que viria a ser a maior parte da futura classe média paulistana. Para os negros livres, sobraram as periferias, os subempregos e a vadiagem. Talvez seja por isso que a “democracia racial”, a mistura de todos os tons de pele, passe bem longe das classes mais altas: é privilégio do povão. Uma viagem de carro que parta de Perdizes e vá até Guaianazes basta para verificar até onde chega a tal miscigenação paulistana: sistematicamente, conforme ficam para trás os bairros de classe média, diminuem os descendentes de italianos, judeus, alemães, espanhóis e portugueses. Vêm então os negros, os nordestinos, e o que sobrou da etnia indígena. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Apesar disso tudo, dentro do discurso contrário à inclusão racial efetiva, quase não aparece o racismo atual. Toda a sua argumentação deixa subentendida a idéia de que a escravidão foi um horror sim, mas hoje vivemos numa sociedade justa e igualitária e, portanto, há “outros meios” para resolver os problemas. Como já vimos, essa justiça e igualdade funciona só para uma parcela da população. Sobram dados que o confirmam. Negros e pardos recebem 50% menos, em média, e estudam apenas 68% do que um branco estuda. Morrem 2,3 vezes mais na mão da polícia e, nas cadeias, ocupam 78% das vagas (IPEA).&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Além disso, de quais “outros meios” se fala tanto? Todo mundo lamenta muito a situação do negro, acha realmente uma pena o racismo, mas se cala na hora de propor uma solução concreta, deixa o problema para as futuras gerações, para o “tempo”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Acontece que o problema está aí, escancarado, batendo à nossa porta. Quando é que vamos ter uma postura minimamente madura, e assumir o racismo que não queremos ver? Quando vamos dizer para nós mesmos: “sim, vivemos numa sociedade racista, que não pode fazer nada pelo negro hoje, mas que está plantando as sementes de uma solução concreta para o problema.”? Até quando vamos protelar a discussão, principalmente &lt;st1:personname productid="em S￣o Paulo" st="on"&gt;em São Paulo&lt;/st1:PersonName&gt;, uma das capitais que mais exclui os negros? &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Porque não há remédio. Para minar a longo prazo o preconceito que já está embutido no inconsciente das pessoas, a única solução é possibilitar a ascensão social de quem tem pele escura. Seja por meio de cotas em universidades públicas, seja por meio de uma verdadeira responsabilidade social das empresas, que passem a contratar negros sistematicamente, seja, enfim, por uma inclusão digna nos meios de comunicação, o “pardo” da favela precisa ver bem sucedida mais gente de sua etnia, além, claro, dos tradicionais cantores de pagode, funk e rap, ou jogadores de futebol – precisa se identificar com médicos, empresários, advogados, engenheiros, jornalistas. Ele precisa ver e ter certeza de que, no seu caso, a criminalidade também é só a pior maneira de enriquecer. E finalmente, que ser negro não é nenhum crime. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Calar isso significa esquecer quase metade da população brasileira. Até quando vamos preferir o silêncio? &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761352921707307904-2058132396347732370?l=omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/feeds/2058132396347732370/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761352921707307904&amp;postID=2058132396347732370' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/2058132396347732370'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/2058132396347732370'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/2007/06/silncio-perverso.html' title='SILÊNCIO PERVERSO'/><author><name>Bugre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15497524348212087363</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761352921707307904.post-298304064299782620</id><published>2007-06-04T18:08:00.003-07:00</published><updated>2007-06-04T18:22:50.372-07:00</updated><title type='text'>municação</title><content type='html'>Uma frágil ponte.&lt;br /&gt;De um lado, de outro.&lt;br /&gt;No meio, o rio turvo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poucos com coragem.&lt;br /&gt;Raro alguém consegue ver.&lt;br /&gt;Mágoas. Travessias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761352921707307904-298304064299782620?l=omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/feeds/298304064299782620/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761352921707307904&amp;postID=298304064299782620' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/298304064299782620'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/298304064299782620'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/2007/06/municao_8329.html' title='municação'/><author><name>Bugre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15497524348212087363</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761352921707307904.post-5684735154268403541</id><published>2007-06-04T12:38:00.001-07:00</published><updated>2007-06-04T18:28:52.292-07:00</updated><title type='text'>Começando com O jardineiro fiel</title><content type='html'>Estou atrasado, mas que filme!&lt;br /&gt;que resumo de nós, começo de século!&lt;br /&gt;Marido se perde quando esposa idealista é assassinada&lt;br /&gt;tenta ser o que ela foi - seguir melhor seus os passos,&lt;br /&gt;compensar o que ele próprio não tinha sido&lt;br /&gt;quando cuidava só de seu próprio jardim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Põe-se em xeque. Passa de um ponto&lt;br /&gt;a partir de onde não consegue mais se enganar -&lt;br /&gt;conformar-se significaria estiolar sua alma;&lt;br /&gt;continuando ele se consome rapidamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não somos muitos assim hoje?, latentes até algo ou alguém&lt;br /&gt;morrer-nos por dentro. Então expandimos.&lt;br /&gt;Alguns nunca se perdem: satisfeitos(?) e perigosos.&lt;br /&gt;Outros, porém, se encontram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.: Há também no filme denúncias tão agudas que escapam à crítica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761352921707307904-5684735154268403541?l=omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/feeds/5684735154268403541/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761352921707307904&amp;postID=5684735154268403541' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/5684735154268403541'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/5684735154268403541'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/2007/06/o-jardineiro-fiel.html' title='Começando com O jardineiro fiel'/><author><name>Bugre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15497524348212087363</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761352921707307904.post-4744136980293703425</id><published>2007-06-04T12:38:00.000-07:00</published><updated>2007-06-04T12:41:43.567-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Faz tempo, criei um blog:&lt;br /&gt;Não deu certo.&lt;br /&gt;Criei um site para um grupo de leitura:&lt;br /&gt;Não deu certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, criei esse blog novo:&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761352921707307904-4744136980293703425?l=omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/feeds/4744136980293703425/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761352921707307904&amp;postID=4744136980293703425' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/4744136980293703425'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761352921707307904/posts/default/4744136980293703425'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omicoquequeriaseringenuo.blogspot.com/2007/06/faz-tempo-criei-um-blog-no-deu-certo.html' title=''/><author><name>Bugre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15497524348212087363</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
